sexta-feira, 19 de setembro de 2008

...o cartel da cantina...

Só quando li "A Pérola", de John Steinbeck é que percebi o conceito "cartel" e a forma como contradiz a lógica, segundo a qual a liberalização do mercado é a forma mais justa de fazer circular os bens (e os males) de consumo! O cartel contorna a concorrência, seja ela leal ou desleal, e transforma-a num acordo que lesa os consumidores e beneficia os prestadores do serviço ou produto... Baseia-se num princípio muito simples, aquele que diz "a falar é que a gente se entende"...
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Ora então, para que os grandes empresários não conspirem tanto contra nós, pagamos à "Autoridade da Concorrência", entidade esta altamente fustigada nos últimos tempos porque tem achado os aumentos sucessivos do preço do combustível, faça chuva ou faça Sol, suba ou desça o valor do barril, normais! Mas esta funciona, descobriu agora "sete empresas de ‘catering’ que terão lesado o Estado em 172,6 milhões de euros" (FONTE: RTP)... As empresas constituíram um cartel que "combinava entre si os preços a apresentar nos concursos e desta forma asseguravam dois terços do mercado de prestação de serviços de fornecimento de refeições" (FONTE: DIÁRIO DIGITAL).
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Depois de anunciados estes factos, chegamos à fase da indignação e pensamos "ai que grandes pulhas...", depois congratulamo-nos "ah, mas ainda há justiça e vão pagá-las todas!"... E aqui nos enganamos! Não, não vão pagá-las todas... Das várias notícias que li sobre este assunto, lia-se numa, e apenas em uma delas, que "se forem condenadas, as empresas em causa vão pagar 38 milhões de euros de multa" (FONTE: RTP).
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Ora, o outro dizia "é só fazer as contas"...
E eu proponho que as façamos já, ora bem:
172,6 milhões que lucraram - 38 milhões de multa (se forem condenados) = 134,6 milhões
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Eh lá... Ainda dizem que o crime não compensa!
MDC

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