sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Romance de Diogo Soares, de Fausto Bordalo Dias

Chego a arrepiar-me de extremo contentamento, porque hoje vou ver o Fausto ao vivo e a cores em concerto! Não sou pessoa de fanatismos ou de grandes idolatrias... Mas o Fausto.... a música, a voz, a poesia... extasia-me, extravasa-me e posso dizer que admiro muito, mas mesmo muito o trabalho dele! E até é curioso, porque havendo muitas e boas razões para esta minha admiração, eu sinto-a como mais inexplicável do que racional, mais mágica do que técnica! Deixo um dos meus temas preferidos... Porque é um dos meus preferidos!? A verdade é que não sei... E quanto menos sei, mais gosto...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Deus da Matança, de Yasmina Reza

Esta posso recomendar porque estará em cena até 25 de Outubro no Teatro Aberto! E vale bem a pena... no mínimo desconcertante!
*
Tive a sorte de em 1998 ver a peça "Arte", extraordinariamente protagonizada por António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme. Fiquei fascinada com o texto desta autora francesa, a Yasmina Reza. A "Arte" são intensas conversas em torno de uma tela pintada de branco e da opção de uma das personagens ao adquiri-la. O melhor é a carga cómica, que no fundo, e porque chega ao fundo, é intensamente dramática. Para mim, uma referência, um dos melhores textos de teatro que conheço.
*
Desta vez a base de conversa é a violência, a agressão... E a intensidade está lá outra vez, levada ao extremo, despindo as personagens por camadas até ao osso, até se dizer tudo e se enfrentar o absurdo do que somos quando retiramos todas as máscaras sociais. Mas não estará esse absurdo, por ventura colado à nossa autenticidade!?
*
Do trabalho dos actores, que encontrei muito conseguido, sobressaiu para mim, o do único desconhecido, Sérgio Praia... Um espectáculo a ver, uma autora, sem dúvida, a seguir...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Camareiro, de Ronald Hardwood



Fui ontem ver ao Teatro Dona Maria II... Não me/vos serve de muito o conselho agora, uma vez que a lotação está já esgotada até ao último espectáculo... Mas quero partilhar na mesma que fiquei abismada pelo positiva com a prestação de Virgílio Castelo (percebi depois que muito por ignorância minha... porque nunca o tinha visto representar num palco!) O Ruy de Carvalho, apresenta-se surpreendentemente enérgico como um duplo senhor do teatro, na personagem e na própria vida...
*
O que mais me impressionou foi mesmo a história deste camareiro (interpretado por Virgílio), que segurando a espinha dorsal da vida deste actor (Sir Donald Wolfit interpretado por Ruy) é ignorado, porque não faz mais que a sua obrigação. O esforço sobrehumano a que se sujeita, anulando-se a si próprio e às suas vontades para satisfazer os caprichos e as necessidades de outro. E essa anulação, este viver em prol de outrém, torna a personagem transparente e, porque ninguém o vê, vive só... Deu-me que pensar e até que sentir!
*
Curiosamente, Ronald Harwood, o autor, terá sido camareiro de Sir Donald Wolfit, que dá nome à personagem feita pelo Ruy de Carvalho... Também é argumentista d"O Pianista", um filme que também gostei muito, pela forma incrível como demonstra que um herói, pode ser natural, sendo afinal um antiherói, apenas (sendo este um apenas bem cheio de tudo) um desesperado em luta pela sobrevivência...
mdc
segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Soneto do Trabalho

foto de Sebastião Salgado

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas

não se abre a liberdade com gazuas
á força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante,
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.
Levanta-te meu povo. Não é tarde.

Agora é que o mar canta é que o sol arde
,
pois quando o povo acorda é sempre cedo!

um poema de José Carlos Ary dos Santos
in reportagem no Ciência Hoje
A angústia do condenado perante a morte
A Fé na literatura para desfazer a infidelidade bíblica - Artes - DN

Shared via AddThis
sábado, 17 de outubro de 2009

Bossanova com sotaque

Diana Krall, a diva do jazz, lançou o seu último trabalho "Quiet Nights" no qual se encontram alguns temas de Tom Jobim. Divinal..."Este seu olhar"...
sexta-feira, 16 de outubro de 2009

parte do discurso de Barack Obama sobre a Palestina

Ainda existem muitas indefinições quanto ao futuro e quanto há determinação de Obama. O Mundo tem os olhos postos em todos os seus passos, em todas as suas decisões. Quanto ao Nobel da Paz, terá sido precipitado?...talvez...o que é certo é que existe esperança. Esperança na mudança.

... parte do discurso de Barack Obama que se refere à questão palestiniana...

"...
A segunda grande fonte de tensão que temos de discutir é a situação entre israelitas, palestinos e o mundo árabe.

Os estreitos laços dos Estados Unidos e Israel são bem conhecidas. Esta ligação é inquebrável. Baseia-se em laços históricos e culturais, bem como no reconhecimento de que a aspiração por uma Pátria judia está enraizada numa trágica história, que não pode ser negada.

Em todo o mundo, os judeus foram perseguidos durante séculos, e o anti-semitismo na Europa levou a algo nunca visto: o Holocausto. Amanhã, visitarei Buchenwald, que fez parte de uma série de campos onde os judeus foram escravizados, torturados, baleados e gaseados até à morte pelo Terceiro Reich. Seis milhões de judeus foram aniquilados, mais do que toda a actual população judaica de Israel. Negar essa realidade é ilegítimo, é ignorante e é odioso. Ameaçar Israel com a destruição - ou repetir estereótipos abjectos sobre os judeus - é profundamente errado e só servem para suscitar nos israelitas as mais dolorosas memórias e, ao mesmo tempo, impedir a paz que os povos da região merecem.

Por outro lado, também é inegável que o povo palestiniano - muçulmanos e cristãos - também sofreu na busca por uma pátria. Durante mais de sessenta anos, sofreu a dor de estarem desalojados. Muitos aguardam em campos de refugiados na Cisjordânia, Gaza e em terras vizinhas, uma vida de paz e segurança que nunca conseguiram ter. Sofreram humilhações quotidianas - grandes e pequenas - decorrentes da ocupação. Então, que não haja dúvidas: A situação para o povo palestino é intolerável. E os Estados Unidos não vão voltar as costas às legítimas aspirações palestinas de dignidade, oportunidade e de um estado seu.

Durante décadas, tem existido um impasse: dois povos com legítimas aspirações, cada um com uma dolorosa história, o que torna os compromissos difíceis. É fácil atribuir a culpa – para os palestinos a deslocação, como resultado da fundação de Israel, e para os israelitas a constante hostilidade e os ataques realizados, ao longo da sua história, dentro e fora das suas fronteiras. Mas se olharmos o conflito a partir de apenas um dos lados ou do outro, então estaremos cegos à verdade: a única solução para as aspirações de ambas as partes será encontrada através de dois estados, em que israelitas e palestinos vivam em paz e a segurança.

É do interesse de Israel, é do interesse da Palestina, é do interesse dos Estados Unidos e do interesse do mundo inteiro. É por isso que eu pretendo prosseguir pessoalmente este resultado com toda a paciência e dedicação que a tarefa exige. As obrigações – as obrigações que as partes acordaram no Roteiro são claras. Para alcançar a paz, é tempo para eles - e para todos nós – cumprirmos com as nossas responsabilidades.

Os palestinos devem desistir da violência. A resistência através da violência e da matança é errado e não terá êxito. Durante séculos, os negros nos Estados Unidos sofreram o açoite do chicote como escravos e a humilhação da segregação. Mas não foi a violência que conquistou a plena igualdade de direitos. Foi uma pacífica e resoluta perseverança nos ideais centrais dos fundamentos dos Estados Unidos. A mesma história pode ser contada pelos povos da África do Sul ao Sul da Ásia; da Europa Oriental à Indonésia. É uma história com uma verdade muito simples: que a violência é um beco sem saída. Não é sinal nem de coragem nem de força lançar foguetes contra crianças dormindo, ou fazer explodir velhotas num autocarro. Não é assim que se reivindica a autoridade moral; é assim que a ela se renúncia.

Este é o momento em que os palestinos se deveriam concentrar naquilo que podem construir. A Autoridade Palestiniana deverá desenvolver a sua capacidade de governar, com instituições que respondam às necessidades de seu povo. O Hamas tem apoio entre alguns palestinos, mas também tem de reconhecer que tem responsabilidades. Para desempenhar um papel na realização das aspirações dos palestinos, para unir o povo palestino, o Hamas tem de pôr um fim à violência, reconhecer acordos passados e reconhecer o direito de Israel a existir.

Ao mesmo tempo, Israel deve reconhecer que, tal como não lhe pode ser negado o direito de existir, o mesmo se deve aplicar à Palestina. Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da contínua colonização israelita. Esta actividade viola acordos anteriores e compromete os esforços para alcançar a paz. É tempo para essa colonização parar.

E Israel também tem de cumprir as suas obrigações para garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver a sua sociedade. Da mesma maneira que é devastador para as famílias palestinas, a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza, esta não contribui para a segurança de Israel; nem de igual modo, a continuada a falta de oportunidades na Cisjordânia. Os progressos na vida quotidiana do povo palestino devem ser uma parte crítica do caminho para a paz, e Israel deve tomar medidas concretas para permitir esse avanço.

Por último, os Estados árabes devem reconhecer que a Iniciativa Árabe de Paz foi um importante ponto de partida, mas não o fim das suas responsabilidades. O conflito árabo-israelita não deveria ser usado para distrair as pessoas dos países árabes da existência de outros problemas. Pelo contrário, deve ser uma razão para agir ajudando o povo palestino a desenvolver as instituições que irão suster o seu Estado, reconhecendo a legitimidade de Israel, e escolhendo o progresso e não uma contraproducente concentração sobre o passado.

Os Estados Unidos irão alinhar as suas políticas, com aqueles que procuram a paz, e devemos dizer em público aquilo que dizemos em privado aos israelitas, aos palestinianos e aos árabes. Não podemos impor a paz. Mas, privadamente, muitos muçulmanos reconhecem que Israel não vai desaparecer. Da mesma forma que muitos israelitas reconhecem a necessidade de um Estado palestino. É tempo de agirmos com base naquilo que todos sabemos que é verdade.

Demasiadas lágrimas têm sido derramadas. Demasiado sangue foi derramado. Todos temos a responsabilidade de trabalhar para o dia em que as mães dos israelitas e dos palestinos possam ver seus filhos crescer sem medo; quando a Terra Santa das três grandes religiões for o lugar de paz que Deus planeou que fosse; quando Jerusalém for um seguro e duradouro lar para Judeus, Cristãos e Muçulmanos e um lugar onde todos os filhos de Abraão confraternizem pacificamente como na história da Isra [1], quando Moisés, Jesus e Maomé, que a paz esteja com eles, se juntaram para rezar.…”

[1] A Isra, viagem nocturna, refere-se à viagem que, numa só noite, o profeta Maomé realizou de Meca a Jerusalém e depois ao paraíso e aos infernos.

este texto foi retirado do blog "Fórum Palestina"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um poema de José Saramago

Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um poema de Eugénio de Andrade

Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.

Tinham lendas e mitos

e frio no coração.

Tinham jardins onde a lua passeava

de mãos dadas com a água

e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente

o milagre de cada dia

escorrendo pelos telhados;

e olhos de oiro

onde ardiam

os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,

e silêncio

à roda dos seus passos.

Mas a cada gesto que faziam

um pássaro nascia dos seus dedos

e deslumbrado penetrava nos espaços.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Babel

Finalmente vi, estreado em 2006, de Alejandro González Iñárritu... Adorei a banda sonora e a fotografia! O argumento usa a fórmula da Magnolia ou do fabuloso Crash, mas põe em evidência a influência dos conflitos internacionais na vida individual, que segue alheia, mas acaba prejudicada! Achei alguns aspectos do dramalhão um bocado forçados... Ainda assim, há sequências absolutamente extraordinárias que compensam!
mdc
quarta-feira, 30 de setembro de 2009

...10 elevado a 100 ideias...

Não tive tempo para perceber bem o que é, mas aguçou-me a curiosidade!
Perdoem-me o atrevimento, espreitem lá isto, se tiverem oportunidade e digam qualquer coisa, se acharem que vale a pena!
mdc
terça-feira, 29 de setembro de 2009

...projecto português finalista em concurso do Guggenheim...

...e o autor é o meu colega David Mares!!!
Quero aqui expressar os meus parabéns e aproveito para divulgar!
O projecto foi seleccionado entre 600 propostas de todo o mundo,
ficando entre as 10 finalistas!
O processo de votação está aberto à participação de todos aqui, até ao dia 10 de Outubro...
mdc
sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Futuro por Ary dos Santos

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Para reflectir...A paz de Gandhi


Gandhi afirmava que a não violência era o seu primeiro artigo de fé e também o último artigo de seu credo. Foi um lutador contra a injustiça. Dizia da coragem silenciosa de morrer sem matar, e que o perdão realçava o valor do soldado.
Em 2002, a Academia Universal das Culturas discutiu em Paris a paz nos dias de hoje e concluíram que em tempo de globalização isto seria impossível.
E num artigo Umberto Eco chegou a afirmar "A paz universal é como desejo da imortalidade, tão difícil de satisfazer que as religiões prometem para depois da morte.
Para reflectir a Paz é preciso lembrar Gandhi que teve palavras iluminadoras, verdadeiras estrelas.
Diante deste contexto é importante lembra-lo, é importante estabelecer um paralelo entre a paz e a estupidez de governantes que utiliza da vulgaridade do comércio da guerra, da destruição de edifícios de hospitais, da indústria e do alto facturamento económico para os produtores de materiais bélicos que com certeza financiam governantes, não se importando com famílias dizimadas, com crianças mutiladas ou com a imprensa permanentemente de luto, graças, aos assassinatos de seus repórteres e jornalistas, nada disto comove os facínoras travestidos de humanismos, que permanecem em seus postos de comando sob a égide de um culto ou de uma crença.
Gandhi afirmava " a guerra que aqui se desenvolve mostra a futilidade da violência, o ódio que mata sempre, enquanto que o amor não mata nunca. Tenho por objecto a amizade com o mundo inteiro. Quero unir o maior amor à mais firme posição do mal."
Diante do contexto, reflectimos que as lições de ódio, tiranias e a falta de carácter de alguns homens públicos, que traçam a guerra para desviar a atenção da sua capacidade gerêncial administrativa não deve sobrepor a exemplos de amor. Que já assimilamos.
E concluímos numa frase de Gandhi, " A verdade é dura como diamante e frágil como a flor do pêssego".

por Manoel Messias Pereira

(via Artilleria del Pensamiento)

Uma forma muito interessante de conhecer realidades, assim entrando pelos ouvidos, música, vozes, palavras e outros sons... Mantendo libertos os outros sentidos todos, para trabalhar ou descansar os olhos...
*
...sobre a cultura avieira!
Lembro-me desde míuda do bairro dos avieiros na Póvoa de Santa Íria, aquelas, para mim misteriosas, casas de madeira construídas sobre o rio... Sei que em Vila Franca de Xira, Março é o mês do sável... e há pouco tempo li uma peça fabulosa do Alves Redol contanto a história dum arrais e de Maria Emília, que o esperava no cais de Vila Franca de Xira, enquanto ele ía pescar! Esta reportagem cose e dá consistência a estas referências duma cultura próxima no tempo e no espaço à minha existência de subúrbio da grande AML...
2009-06-17 O mar que há no Tejo (som e imagem)
2009-06-04 À ESPERA DA DEMOCRACIA
...sobre o que terá acontecido em Pequim na noite de 4 de Junho de 1989!
Passaram 20 anos sobre a noite que começou com uma manifestação de estudantes na maior praça do mundo, a Praça Tiananmen e terminou em opressão e violência... Até hoje está por apurar ao certo o que se passou!
...conversas com AP Braga, Francisco Fanhais, Rui Pato e José Barata Moura.
Histórias de homens para quem a cantiga foi uma arma contra a ditadura...
...sobre a infertilidade e o desejo de ter filhos biológicos para dar sentido à vida!
2009-04-15 Sementes de Esperança (som e imagem)
2009-04-09 O "BÊ-À-BÁ" DOS CIGANOS
...sobre a integração no ensino das crianças ciganas!
Nem que seja pela cantiga do início da reportagem vale a pena! Mas, já agora, que se oiça o resto... Porque estas questões nunca são tão simples como a alguns parece! Porque a diversidade deve corresponder a riqueza, aprendizagem e tolerância e não a descriminação, nem que a queiram chamar positiva...

2009-04-02 A Viagem Inesperada
2009-03-26 Know-How Português
2009-03-19 Menino de Angola, Filho da Guerra
2009-03-18 Menino de Angola, Filho da Guerra (som e imagem)
2009-03-05 Naufrágio com Terra à Vista
2009-02-19 O Soldado Esquecido
2009-02-12 A SEGUNDA PELE
...sobre a plataforma virtual SECOND LIFE...
Sinceramente, acho que é uma perca de tempo! Há tanta coisa para fazer no mundo real! O mais incrível foi uma das utilizadoras dizer na entrevista "para nós nos dedicarmos a isto tinha que ser (...) a sério, e como uma pessoa infelizmente, não pode deixar de ter a vida..."
2009-02-11 A TSF espreita o Second Life (som e imagem)
2009-02-05 O Acórdão Final
2009-02-05 O Acórdão Final (som e imagem)
2009-01-29 O Último Turno
2009-01-22 A MINHA FAMÍLIA É ESTA CIDADE
...sobre pessoas sem casa, que vivem na rua, de dia e de noite, faça chuva ou faça sol!
2009-01-15 Vacas Gulosas e Porta-Chaves
2009-01-08 PEIXINHOS DE LATA
...sobre a indústria das conservas em Portugal!
2008-12-11 O MEU FILHO CHOCOLATE
...sobre a adopção de crianças!
Realmente tenho alguma dificuldade em perceber porque é que alguém, pretendendo adoptar, "encomenda" uma criança com um tom de pele igual ao seu!
...sobre pessoas que trocaram o reboliço da vida citadina pela tranquilidade do céu do Alentejo!
2008-11-13 Os Filhos da Solidão (reportagem vídeo)
2008-11-13 OS FILHOS DA SOLIDÃO (reportagem áudio)
...sobre a solidão, o sofrimento e o abandono que sentem muitos idosos por este país fora!
Esta é daquelas que só consigo ouvir numa situação em que as lágrimas me possam escorrer cara abaixo!
...sobre a aldeia de Covas do Monte, onde há 56 habitantes e 2500 cabras...
Uma janela aberta para uma realidade bem diferente daquela que rodeia a maioria de nós!
2008-10-15 A aldeia das 2500 cabras (som e imagem)
2008-10-09 Doce e Amargo Sal
2008-09-12 Loucura Consciente
2008-09-11 As Vozes do Mar
2008-09-10 Bebés Tinoni
2008-09-08 Um Metro de Vida
2008-09-05 Para Que Outros Vivam
2008-09-04 Maria-Rapaz
2008-09-01 Onde o Asfalto Acaba
2008-08-27 Como Se Faz Um Bispo
2008-06-27 Moçambique - Negócio e Engenho
2008-06-20 A Cidade do Baú
2008-06-20 Uma viagem no tempo (som e imagem)
2008-06-13 Menina e Mãe
2008-06-06 Posso dormir aí esta noite?
2008-06-05 Couchsurfing, uma forma diferente de viajar (som e imagem)
2008-05-30 O Dia em que o Meu Coração Parou
2008-05-16 Condomínio Público
2008-05-09 Aqui Começa Portugal
2008-04-18 Mojitos, Câmbios e Proibições Obsoletas
2008-04-11 Tesouros de Xisto
2008-04-04 O Baile dos Afectos
2008-03-28 De corpo sem alma
2008-03-14 Cuidado com o Cão!
2008-03-07 O Magnetismo de Madrid
2008-02-29 R. Ilha do Pico, 32, cave
2008-02-22 A Escola da Vida
2008-02-15 Salão de Jogos
2008-02-08 Bons de Bola
2008-01-18 Vidas por um Canudo
2008-01-11 Tiananmen Fica Muito Longe
2007-06-29 Natália, Emigrante no Kosovo
2007-06-15 O Cordão da Vida
2007-05-25 Kosovo - À Procura do Beijo Impossível
2007-05-18 Quem Conta Um Conto...
2007-05-11 Festa, Devoção e Ferraduras
2007-05-04 Prisioneiros do Medo
2007-04-20 As Vidas Que O Piano Toca
2007-04-13 No Trilho do Carvão
2007-03-30 Um Dia de Cada Vez
2007-03-23 Era Uma Vez Um Paraíso
2007-03-16 Doze Cordas e um Destino
2007-03-09 A Guerra do Patacom
2007-03-02 DARI, PRIMATA COMO NÓS
...sobre o trabalho duma equipa portuguesa da Guiné em prol da preservação dos chimpazés!
Particularmente interessante, porque a minha querida Joana faz parte da equipa e ouve-se o seu riso!
...sobre a habitação social...
...sobre a violência nas escolas!
Os professores deviam ser das classes profissionais mais protegidas e prestigiadas. São peças fundamentais no desenvolvimento dos cidadãos!
...sobre como são formados os polícias!
Nove meses!!! Em nove meses forma-se um bebé é certo, mas será que é tempo suficiente para formar um polícia!?
*
fonte: TSF
MDC
sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Paula Rego

Vai inaugurar um novo espaço inteiramente dedicado à obra da pintora Paula Rego, concebido pelo arquitecto Souto Moura. Chama-se a "Casa das Histórias" e fica em Cascais.
Pretendo lá ir assim que puder.!

sábado, 12 de setembro de 2009

Jorge de Sena

Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

***

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.



"A criação poética de Jorge de Sena foi desde cedo acompanhada por uma intensa actividade intelectual e cultural, como conferencista, como crítico de teatro e de literatura, em diversos jornais e revistas, como comentador de cinema..."
quinta-feira, 10 de setembro de 2009

11 de Setembro de 1973

11 de Setembro.

Actualmente a data é conotada com os atentados terroristas às duas torres gémeas de Nova Iorque, há oito anos atrás. Foi muito dramático, triste, doloroso. Sim, é certo. Os inocentes que morreram naquele dia são as vítimas do seu próprio sistema, e que pagaram com a própria vida os erros, que os seus sucessivos governos praticam, há décadas. Pela guerra, pela invasão e pelo terror, que submetem os outros povos.

Há 36 anos, a 11 de Setembro de 1973, com o apoio dos EUA e o seu presidente Gerald Ford, com a colaboração da CIA e de algumas multinacionais, Augusto Pinochet ordenou às Forças Armadas, praticarem um golpe de estado violento e sangrento, que derrubou o governo socialista, democraticamente eleito de Salvador Allende. Naquela manhã, onde se encontrava exilado no Palácio de La Moneda, pela rádio transmitiu as suas últimas palavras destinadas ao seu povo:
"Pagarei com a minha vida a lealdade do povo."

O que se sucedeu, foi dantesco. O povo chileno foi perseguido, torturado, massacrado. O estádio do Chile foi transformado num campo de concentração. Entre muitos encontrava-se Victor Jara. Conta-se que foi torturado durante quatro dias. Nesses dias ainda conseguiu escrever a ultima canção, escondida pelos seus companheiros:

Somos cinco mil
en esta pequeña parte de la ciudad
Somos cinco mil
Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país?
Sólo aquí, diez mil manos que siembran
y hacen andar las fábricas.

Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!

Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.

Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.

Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera
sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
Para esto tus siete días de asombro y de trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número
que no progresa,
que lentamente querrá más la muerte.

Pero de pronto me golpea la conciencia
y veo esta marea sin latido,
pero con el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona
lleno de dulzura.

Y México, Cuba y el mundo?
Que griten esta ignominia!
Somos diez mil manos menos
que no producen.
Cuántos somos en toda la Patria?
La sangre del compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.

Canto que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto!
Espanto como el que vivo
como el que muero, espanto.
De verme entre tanto y tantos
momento del infinito
en que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
Lo que veo nunca vi,
lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento...

Os relatos de presos presentes no estádio, contam que o cantor teve as mãos quebradas durante as sessões de tortura. No seu último fôlego e sob tortura Jara pôs-se de pé e cantou o hino da Unidade Popular “Venceremos” :
(…)
Venceremos, venceremos,
Mil cadenas habrá que romper,
Venceremos, venceremos,
La miseria sabremos vencer.

Campesinos, soldados, mineros
La mujer de la patria también,
Estudiantes, empleados y obreros,
Cumpliremos con nuestro deber.

Sembraremos las tierras de gloria,
Socialista será el porvenir,
Todos juntos haremos la historia,
A cumplir, a cumplir, a cumplir
(…)

Um ano mais tarde, após o golpe militar, o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile "...foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses". ...duvido muito pelos interesses do povo chileno, não duvido nada pelos interesses dos EUA.

***

Na pesquisa que fiz encontrei um poema que foi dedicado ao cantor Victor Jara. Eu pessoalmente não conheço o autor, mas é muito bonito:

CANTO PARA AS MÃOS PARTIDAS DE VICTOR JARA
por Pedro Tierra

Quisera chorar teus dedos dilacerados:
raízes do meu canto subterrâneo.
Quisera chamar-te ?Hermano?
como a infância dos rios
lava o rosto da terra,
mas minha boca sangrava
um silêncio de canções amordaçadas.

De tuas mãos se dirá um dia:

geravam pássaros de sangue
como as primaveras da lua.
Tuas mãos,
tristes descendentes das canções araucanas,
tuas mãos mortas,
casa de canções decepadas,
tuas mãos rotas,
últimas filhas do vento,
guitarras enterradas sem canto,
sementes de fuzis,
seara de sangue.

Quisera entregar

minhas mãos inúteis
ao cepo de teus carrascos.

No Chile, com a ditadura de Pinochet, o povo chileno, viveu longos anos de perseguições, de desaparecimentos, de massacres, de ditadura.
Pretendo com estas linhas apenas relembrar. Para que não se esqueça, para que não se volte a repetir! O Mundo não se pode esquecer.

´
quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Brincar

Sejamos ricos, pobres, engravatados, pé de chinelo, mais na desportiva ou mais competitivo, o que o pessoal gosta mesmo é de brincar! E se for a chafurdar na água muito melhor!



É claro, que alguns em grande estilo!!


Ver mais mergulhos aqui.