11 de Setembro de 1973
Actualmente a data é conotada com os atentados terroristas às duas torres gémeas de Nova Iorque, há oito anos atrás. Foi muito dramático, triste, doloroso. Sim, é certo. Os inocentes que morreram naquele dia são as vítimas do seu próprio sistema, e que pagaram com a própria vida os erros, que os seus sucessivos governos praticam, há décadas. Pela guerra, pela invasão e pelo terror, que submetem os outros povos.
Há 36 anos, a 11 de Setembro de 1973, com o apoio dos EUA e o seu presidente Gerald Ford, com a colaboração da CIA e de algumas multinacionais, Augusto Pinochet ordenou às Forças Armadas, praticarem um golpe de estado violento e sangrento, que derrubou o governo socialista, democraticamente eleito de Salvador Allende. Naquela manhã, onde se encontrava exilado no Palácio de La Moneda, pela rádio transmitiu as suas últimas palavras destinadas ao seu povo:
"Pagarei com a minha vida a lealdade do povo."
O que se sucedeu, foi dantesco. O povo chileno foi perseguido, torturado, massacrado. O estádio do Chile foi transformado num campo de concentração. Entre muitos encontrava-se Victor Jara. Conta-se que foi torturado durante quatro dias. Nesses dias ainda conseguiu escrever a ultima canção, escondida pelos seus companheiros:
Somos cinco mil
en esta pequeña parte de la ciudad
Somos cinco mil
Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país?
Sólo aquí, diez mil manos que siembran
y hacen andar las fábricas.
Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.
Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera
sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
Para esto tus siete días de asombro y de trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número
que no progresa,
que lentamente querrá más la muerte.
Pero de pronto me golpea la conciencia
y veo esta marea sin latido,
pero con el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona
lleno de dulzura.
Y México, Cuba y el mundo?
Que griten esta ignominia!
Somos diez mil manos menos
que no producen.
Cuántos somos en toda la Patria?
La sangre del compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
Canto que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto!
Espanto como el que vivo
como el que muero, espanto.
De verme entre tanto y tantos
momento del infinito
en que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
Lo que veo nunca vi,
lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento...
(…)
Venceremos, venceremos,
Mil cadenas habrá que romper,
Venceremos, venceremos,
La miseria sabremos vencer.
Campesinos, soldados, mineros
La mujer de la patria también,
Estudiantes, empleados y obreros,
Cumpliremos con nuestro deber.
Sembraremos las tierras de gloria,
Socialista será el porvenir,
Todos juntos haremos la historia,
A cumplir, a cumplir, a cumplir
(…)
Um ano mais tarde, após o golpe militar, o presidente Gerald Ford declarou à imprensa que aquilo os Estados Unidos fizeram no Chile "...foi nos melhores interesses do Povo chileno e certamente nos nossos melhores interesses". ...duvido muito pelos interesses do povo chileno, não duvido nada pelos interesses dos EUA.
***
CANTO PARA AS MÃOS PARTIDAS DE VICTOR JARA
por Pedro Tierra
Quisera chorar teus dedos dilacerados:
raízes do meu canto subterrâneo.
Quisera chamar-te ?Hermano?
como a infância dos rios
lava o rosto da terra,
mas minha boca sangrava
um silêncio de canções amordaçadas.
De tuas mãos se dirá um dia:
geravam pássaros de sangue
como as primaveras da lua.
Tuas mãos,
tristes descendentes das canções araucanas,
tuas mãos mortas,
casa de canções decepadas,
tuas mãos rotas,
últimas filhas do vento,
guitarras enterradas sem canto,
sementes de fuzis,
seara de sangue.
Quisera entregar
minhas mãos inúteis
ao cepo de teus carrascos.
Pretendo com estas linhas apenas relembrar. Para que não se esqueça, para que não se volte a repetir! O Mundo não se pode esquecer.
´
...isto parece a república das bananas...*...mau, pensas que estás na casa da Joana?!...*...já chegámos à Madeira, ou quê!?...
a) pela mesma razão que o fado se canta em português... porque se o poprock, metal e derivados têm supostas raízes anglosaxónicas, deve ser interpretado em inglês!b) para que seja mais fácil "passar a mensagem" neste mundo global e, assim que possível, conseguir obter um sucesso compreendido a essa escala!!c) porque é mais fácil escrever letras de música e rimar em inglês!!!
a) queiram ou não queiram, nasceram, escolheram e/ou estão aqui, neste cantinho bem temperado, que tem uma ampla tradição musical... Podem fazer música no estilo que bem vos aprover, mas não podem negar a nossa identidade, se não fazem um muito mau serviço a todos... Só ganharão (e darão a ganhar) se incorporarem as influências externas nas internas...
b) quanto à questão do reconhecimento global, proponho que façamos o exercício ao contrário... Imaginem que os neozelandeses (que até são nossos antípodas), decidiam compôr música com letras em português... O que é que iríamos pensar!? A pronúncia forçada, os eventuais erros... Caricato, não!? É sempre melhor ver e ouvir as línguas e expressões culturais do sítio de onde emanam! É por isso, que os projectos portugueses que normalmente vingam "lá fora" são cantados em português... Acham que os anglosaxónicos querem mais do mesmo e mal amanhado!?
c) bom... quanto à questão da facilidade da escrita e da rima... lembro que, os músicos não têm obrigatoriamente que saber escrever, ora... Leiam ou desafiem poetas e escritores portugueses (onde reside um vasto e interessante mar de ideias) ou façam simplesmente música instrumental!
Um diz:"Então, queres que faça isso assim... Está bem, albardam-se os burros à vontade dos donos!"O outro responde:"Ouve lá, estás-me a chamar burro!!?"
Uma diz:"Ai, como é que chego lá!?"A outra responde:
"Oh filha, quem tem boca vai a Roma..."A primeira exclama ofendida:"Mas quem é que você pensa que eu sou!?"
"Parábola para
os que se
descobrem
mal governados,
mas se afirmam
descrentes
da eficácia do
seu protesto:
A última gota de água,
Aquela que manifestamente
FEZ TRANSBORDAR O COPO,
de pronto anunciou soberba a singularidade da sua
participação,
arrogando-se de ser a principal obreira do derrame.
Mas eis
que do mais fundo do recipiente
a primeira gota contesta:
-- Não fora eu e
não serias a última,
mas tão somente a que te antecede."