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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mensagem

Vivemos dias difíceis. Trazemos a vida nos braços, o trabalho nas mãos e a angústia do dia a dia no peito. Os problemas diários, o cuidar dos filhos, as contas, o dinheiro que não chega, a instabilidade do trabalho, a pressão social, a crise que toca a todos. Tudo isto nos esgota, torna-nos rabugentos, céticos, revoltados.

Sem esquecer tudo isto, devemos olhar para o lado bom do que ainda resiste.
Reaprender a tirar o valor das pequenas coisas, aquelas que nos são dadas de graça e sem esforço, aquelas que estão junto de nós. Falo dos amigos verdadeiros, aqueles que nos ouvem e nos ajudam nos momentos difíceis. Falo do abraço dos nossos filhos, do carinho cândido e sincero que nos dão. Falo dos companheiros, dos amores, dos que se amam e juntos vencem etapas, umas após outras aprendendo e reaprendendo a viver a construir e a partilhar.
É importante "pararmos" um pouco.
Respirar fundo e recordar o olhar da pessoa que está ao nosso lado. Recordar-lhe o rosto, o som da voz, o toque da pele, o sorriso, as gargalhadas. É preciso.
Visitar lugares que nos são especiais, esperar por um pôr do sol, olhar para as estrelas, ouvir a chuva ir ver o mar. É preciso.
Estar junto dos que se gosta, conviver, saber ouvir, ajudar, dar carinho e amizade, abraçar, ser solidário. É preciso.
Tornarmos-nos fortes criando laços, criando bases e pilares que nos sustentem, valores fulcrais como os da amizade e família, do conhecimento e da partilha. É preciso.
A sociedade cada vez mais consumista e selvagem, apela-nos para a importância dos valores materiais. Afinal são só coisas. Coisas que nos ajudam por vezes a preencher um cantinho do nosso ego, mas é só. Não são assim tão importantes e nem sempre é preciso.
O importante é sabermos que não estamos sós, que há alguém que nos estima e espera por nós, que nos dá a mão e nos abraça em dias escuros e em dias de sol sempre que uma lágrima cai ou sempre que algo nos preocupa. O importante é estarmos sãos e saudáveis para viver a vida em pleno disfrutando dos pequenos prazeres que por vezes nos dá. Viver um dia de cada vez e aproveitá-lo ao máximo sorvendo cada momento bom e aprendendo com cada momento menos bom.
O Amanhã vive no Livro da Vida, que como me diz alguém detentor de palavras sábias "é um livro fechado", por isso...Carpe Diem!



terça-feira, 27 de abril de 2010

POBRES DOS NOSSOS RICOS, por Mia Couto

A maior desgraça de uma nação pobre é que
em vez de produzir
riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem pos
sui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e
dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem d
inheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a
essa mesma desordem (...) MiaCouto

(uma sugestão do amigo Eduardo Dores)
as imagens são de Sebastião Salgado

Mia Couto ao escrever estas palavras referia-se à realidade africana. No entanto, nas nossas sociedades ditas industrializadas, o flagelo da pobreza e da corrupção é igualmente visivel e até "aceitável" ao ponto de a encararmos como "normal". Mas não o é.
segunda-feira, 6 de julho de 2009

Isto é que é gostar de queijo!!

Eu pessoalmente adoro queijo, mas estes malucos!!! Vai lá vai!!
É em Inglaterra, num campeonato chamado Cooper´s Hill Cheese Rolling...Espectáculo!


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O fantástico mundo animal

Trabalho num prédio de 6 andares junto ao Mercado da Ribeira em Lisboa, um dia da semana passada estava eu muito sossegadinha a olhar para o PC eis senão quando ouço um toc toc toc no vidro da janela, como estou no 2º andar fiquei um pouco intrigada e quando olhei, para além de intrigada fiquei incrédula.

Era uma linda gaivota, parada no parapeito da minha janela e que estava a tentar comunicar comigo, porque para além de bater no vidro também emitia uns gritinhos característicos.

Lá fui até à janela e abri, ela afastou-se um pouco para cima do ar condicionado e permaneceu a olhar para mim e a emitir aqueles sons, então pensei será que ela quer comida, fui à cozinha e trouxe um pacote de bolachas Maria, tirei umas quantas e parti, ao ver isto a gaivota aproximou-se logo e veio comer os bocadinhos que lhe ia pondo no parapeito.

Desde então ela aparece todos os dias à mesma hora e agora já faz o mesmo nas restantes janelas do prédio e já começou também a trazer companhia, é verdade hoje eram 3 a bater no meu vidro...

E ainda dizem que só o ser humano é racional!
OSC
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

...a barbearia azul...

Hoje, quando virei a esquina para a rua onde eu trabalho, reparo no cão da rua (que é igualzinho ao "Cão" poema do Alexandre O'Neill)... Estava parado em pé, quer dizer, em patas, atravessado no meio do passeio, o que é muito raro... Semicerrava os olhos e quase esboçava um sorriso... Na manhã fria, aquele cão magriço, dava-se ao luxo de estar ali, indiferente ao resto mundo, a apanhar Sol!
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Entretanto, lembrava-me que na noite anterior, tinha pensado em sugerir à merceeira que fechasse a porta, mantendo um indicação de "aberto", para se resguardar do frio! (devo dizer que nos tratamos pelo nome próprio e com grande afeição)
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Quando reparo nas caixas de fruta à porta, penso que será uma forma de "publicidade" imemorial... Em tempos tão adversos ao pequeno comércio, talvez afinal não seja boa ideia fechar a porta... Não lhe disse nada... Mais vale à nossa merceeira a roupa reforçada, mais o cachecol, tudo em preto pelo luto eterno do extremoso e infelizmente falecido marido!
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Mas o melhor do meu percurso desta manhã estava para vir... Ao passar pela barbearia, cujo mobiliário em azul claro, bem estimado, remonta a umas valentes décadas atrás, reparo no barbeiro, de farta cabeleira branca, de pé. Empunha uma tesoura, pousando o braço sobre a mão livre para maior estabilidade, está aparando os pelos duma narina a outro homem que se encontra de pé à sua frente! Quando passo e os olho, eles olham também para mim, não mexendo mais do que os globos oculares, como uma estátua ou um quadro enfeitiçado...
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Ainda há disto, Evaristo!
MDC