quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Reflexão

Existem situações com as quais convivemos diariamente que por mais que as queiramos tornar quotidianas, nem sempre serão fáceis de as encarar dessa forma. Aprendemos então a conviver com elas. Fazem e farão parte das nossas vidas "harmoniosamente" numa relação de causa/efeito nem sempre fácil de contornar. Para que este convívio seja "harmonioso" e ultrapassável deveremos de encontrar dentro de nós alguma disponibilidade emocional e uma grande dose de humildade e maturidade (assim do nosso tamanho), para que seja tolerável.
Mas existe o factor principal. Ser humano. E nesta condição em que todos, e de igual forma, temos fraquezas e fragilidades, medos e fantasmas que nos assaltam durante o sono, a tolerência de ambos os lados é de uma importância decisiva. Nas relações humanas, o Amor é a base para que cresçam e se fortaleçam, mas não devemos exigir aos outros, o que seria intolerável e impensável para nós próprios. Errar é humano, desculpável e compreensível até. Mas viver constantemente no fio da navalha, é inconsequência e irreflexão...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mensagem

Vivemos dias difíceis. Trazemos a vida nos braços, o trabalho nas mãos e a angústia do dia a dia no peito. Os problemas diários, o cuidar dos filhos, as contas, o dinheiro que não chega, a instabilidade do trabalho, a pressão social, a crise que toca a todos. Tudo isto nos esgota, torna-nos rabugentos, céticos, revoltados.

Sem esquecer tudo isto, devemos olhar para o lado bom do que ainda resiste.
Reaprender a tirar o valor das pequenas coisas, aquelas que nos são dadas de graça e sem esforço, aquelas que estão junto de nós. Falo dos amigos verdadeiros, aqueles que nos ouvem e nos ajudam nos momentos difíceis. Falo do abraço dos nossos filhos, do carinho cândido e sincero que nos dão. Falo dos companheiros, dos amores, dos que se amam e juntos vencem etapas, umas após outras aprendendo e reaprendendo a viver a construir e a partilhar.
É importante "pararmos" um pouco.
Respirar fundo e recordar o olhar da pessoa que está ao nosso lado. Recordar-lhe o rosto, o som da voz, o toque da pele, o sorriso, as gargalhadas. É preciso.
Visitar lugares que nos são especiais, esperar por um pôr do sol, olhar para as estrelas, ouvir a chuva ir ver o mar. É preciso.
Estar junto dos que se gosta, conviver, saber ouvir, ajudar, dar carinho e amizade, abraçar, ser solidário. É preciso.
Tornarmos-nos fortes criando laços, criando bases e pilares que nos sustentem, valores fulcrais como os da amizade e família, do conhecimento e da partilha. É preciso.
A sociedade cada vez mais consumista e selvagem, apela-nos para a importância dos valores materiais. Afinal são só coisas. Coisas que nos ajudam por vezes a preencher um cantinho do nosso ego, mas é só. Não são assim tão importantes e nem sempre é preciso.
O importante é sabermos que não estamos sós, que há alguém que nos estima e espera por nós, que nos dá a mão e nos abraça em dias escuros e em dias de sol sempre que uma lágrima cai ou sempre que algo nos preocupa. O importante é estarmos sãos e saudáveis para viver a vida em pleno disfrutando dos pequenos prazeres que por vezes nos dá. Viver um dia de cada vez e aproveitá-lo ao máximo sorvendo cada momento bom e aprendendo com cada momento menos bom.
O Amanhã vive no Livro da Vida, que como me diz alguém detentor de palavras sábias "é um livro fechado", por isso...Carpe Diem!



domingo, 17 de outubro de 2010

Retrato de uma população...do Mundo


Primeiro levaram os comunistas, Mas eu não me importei Porque não era nada comigo. Em seguida levaram alguns operários, Mas a mim não me afectou ...Porque eu não sou operário. Depois prenderam os sindicalistas, Mas eu não me incomodei Porque nunca fui sindicalista. Logo a seguir chegou a vez De alguns padres, mas como Nunca fui religioso, também não liguei. Agora levaram-me a mim E quando percebi, Já era tarde.

Bertolt Brecht


quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Um poema de Bertolt Brecht
quinta-feira, 15 de julho de 2010

QUE ESCÂNDALO!!

Com o preço dos bilhetes e os contratos publicitários que fazem daquilo um banho de marcas ACHO INADMISSÍVEL » "A organização do Rock in Rio foi isentada das taxas municipais em todas as suas edições em Lisboa, no Parque da Bela Vista (2004, 2006, 2008 e 2010). A proposta levada hoje à assembleia pelo presidente da Câmara, António Costa (...) apenas o PSD e o PS votaram favoravelmente a proposta. O CDS absteve-se e o BE, PCP, PEV, PPM, PPM e quatro independentes eleitos na lista do PS votaram contra." COM ISTO A CÂMARA DE LISBOA DEIXARÁ DE RECEBER 3 MILHÕES DE EUROS!!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010
"Cegos. O aprendiz pensou: "Estamos cegos", e sentou-se a escrever o Ensaio sobre a Cegueira para recordar a quem o viesse a ler que usamos perversamente a razão quando humilhamos a vida, que a dignidade do ser humano é todos os dias insultada pelos poderosos do nosso mundo, que a mentira universal tomou o lugar das verdades plurais, que o homem deixou de respeitar-se a si mesmo quando perdeu o respeito que devia ao seu semelhante. "

Discurso do laureado José Saramago | Prémio Nobel da Literatura em 1998
terça-feira, 1 de junho de 2010

Tenho cinco reis...

Tenho cinco reis

Tenho um alguidar

Tenho um macaquinho

De pernas para o ar

Quando me levanto

Tiro-lhe o boné

Aperto-lhe a mão

Olari-ló-lé

MDC
quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em resposta a "O cobrador das quotas do Alverca"

Pois é, caro Rodrigo...
O associativismo tem destas vicissitudes, é levado a cabo por pessoas que, depois dos seus empregos e das lidas da casa, rumam às colectividades para dar um contributo para uma sociedade melhor.
Quem nelas contribui compreende as dificuldades, ajuda a ultrapassá-las e cresce por dentro como ser humano social e interventivo e por fora, porque se alia a outras pessoas, estabelecendo relações de amizade e cooperação que desenvolvem o sentido cívico.
Não sei se alguma vez experimentou participar activamente numa associação, constato no entanto, que perspectiva formas de funcionar diferentes, eventualmente mais eficazes... Pois então, proponho que não se limite a criticar, experimente ir mais longe, envolva-se numa ou mais associações e contribua activamente. Aposto que vai ficar surpreendido pela positiva com a generosidade e o esforço dos voluntários que encontrar.

Esta foi a minha resposta a "O cobrador das quotas do Alverca" de Rodrido Bentes Camacho publicado n'O MIRANTE ONLINE a 27.Mai'10.
Eu discordo em absoluto e acho uma medida claramente anti-democrática!
Mais, acho incrível como é que se faz uma proposta destas sem a acompanhar de medidas que garantissem a representatividade de mais partidos e ideias diferentes das do "centrão" que nos governa (e mal) há mais de 30 anos!
Devemos exigir sim, que os deputados representem efectivamente os objectivos e aspirações dos cidadãos que neles depositaram essa tarefa através do voto... E se somos quase 11 milhões, bem que deles e do seu trabalho precisamos!
O sistema em que vivemos baseia-se na DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, e esta petição pretende diminui-la quantitativamente... Eu penso que só aumentando qualitativamente, ou seja, caminhando para a DEMOCRACIA PARTICIPATIVA, poderemos melhorar.
Sendo assim, situo-me exactamente no lado oposto à ideia que esta petição defende.
Não posso portanto desejar boa sorte, nem sucesso nesta pretensão.
Continuarei a desejar e a procurar construir uma sociedade melhor, mas não creio que esse seja de todo, o caminho.
sábado, 8 de maio de 2010

Canção do Sal

Trabalhando o sal é amor é o suor que me sai
Vou viver cantando o dia tão quente que faz
Homem ver criança buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro pra vida de gente levar

Água vira sal lá na salina
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta sol lá na salina
Sol que vai queimando até queimar

Trabalhando o sal pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa encontrar a família sorrir
Filho vir da escola problema maior é o de estudar
Que é pra não ter meu trabalho e vida de gente levar

Voz de Elis Regina
Poema de Milton Nascimento

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Alfonsina Y El Mar

Alfonsina Y El Mar

Por la blanda arena que lame el mar
su pequeña huella no vuelve más
Un sendero sólo de pena y silencio
llegó hasta el agua profunda
Un sendero sólo de penas mudas
llegó hasta la espuma

Sabe Dios qué angustia te acompañó
qué dolores viejos calló tu voz
Para recostarte arrullada
en el canto de las caracolas marinas
La canción que canta en el fondo
oscuro del mar la caracola

Te vas Alfonsina con tu soledad
¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
te requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá como en sueños
dormida, Alfonsina, vestida de mar

Cinco sirenitas te llevarán
por caminos de algas y de coral
Y fosforescentes caballos marinos
harán una ronda a tu lado
Y los habitantes del agua van a jugar
pronto a tu lado

Bájame la lámpara un poco más
déjame que duerma, nodriza, en paz
Y si llama él, no le digas que estoy
dile que Alfonsina no vuelve
y si llama él, no le digas nunca que estoy
Di que me he ido

Te vas Alfonsina con tu soledad
¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
te requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá como en sueños
dormida, Alfonsina, vestida de mar

Este poema argentino é uma homenagem à poetisa Alfonsina Storni, e foi dado a conhecer ao mundo pela voz de Mercedes Sosa, também conhecida por "La negra Sosa", cantora e representante da música tradicional argentina.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Urgentemente!

Urgentemente! É urgente o Amor, É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros, e a luz impura até doer. É urgente o amor, É urgente permanecer.
poema de Eugénio de Andrade
Imagem de Gustav Klimt, DANAE
domingo, 2 de maio de 2010

Poema à Mãe

No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe! Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos! Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais! Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura! Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos... Mas tu esqueceste muita coisa! Esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! Olha - queres ouvir-me? -, às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; ainda oiço a tua voz: "Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal..." Mas - tu sabes! - a noite é enorme e todo o meu corpo cresceu... Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber. Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas...

poema de Eugénio de Andrade
imagem de Gustav Klimt

sábado, 1 de maio de 2010

Ao 1.º de Maio

Elogio da Dialéctica

A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.

Bertolt Brecht

quinta-feira, 29 de abril de 2010

...leituras...

"Um dia que já lá vai D. João o Segundo, nosso rei, perfeito de cognome e a meu ver humorista perfeito, deu a certo fidalgo uma ilha imaginária, diga-me você se sabe doutro país onde pudesse ter acontecido uma história como esta, E o fidalgo, que fez o fidalgo, foi ao mar à procura dela, gostaria bem que me dissessem como se pode encontrar uma ilha imaginária. A tanto não chega a minha ciência, mas esta outra ilha, a ibérica, que era península e deixou de o ser, vejo-a eu como se, com humor igual, tivesse decidido meter-se ao mar à procura dos homens imaginários."
em "Jangada de Pedra" de José Saramago
terça-feira, 27 de abril de 2010

POBRES DOS NOSSOS RICOS, por Mia Couto

A maior desgraça de uma nação pobre é que
em vez de produzir
riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem pos
sui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e
dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem d
inheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a
essa mesma desordem (...) MiaCouto

(uma sugestão do amigo Eduardo Dores)
as imagens são de Sebastião Salgado

Mia Couto ao escrever estas palavras referia-se à realidade africana. No entanto, nas nossas sociedades ditas industrializadas, o flagelo da pobreza e da corrupção é igualmente visivel e até "aceitável" ao ponto de a encararmos como "normal". Mas não o é.
quinta-feira, 22 de abril de 2010

Revolução

A Revolução faz 36 anos... e esta é a minha homenagem aos que lutaram em clandestinidade, abdicaram da sua identidade, àqueles que sofreram a tortura às mãos da pide, aos que tombaram, aos que nunca desistiram do ideal comum, o de LIBERDADE!
Pelas palavras de Sophia de Mello Breyner:

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Relembrar Abril, é falar de Revolução!

A Revolução é contínua, pela mudança de mentalidades e pela adequação aos tempos, nunca esquecendo os nossos direitos nem os nossos deveres.
Revolução é a procura constante de uma vida melhor e com qualidade, é transformar a sociedade, numa sociedade mais humanizada, é promover um futuro melhor para os nossos filhos.

25 DE ABRIL SEMPRE!




sábado, 13 de março de 2010

Light Years

Existem momentos bons e maus nas nossas vidas.
Mas aprender com eles é crescer...amadurecer, tornar-nos humildes e melhores pessoas.
Erramos! pois claro que sim...somos humanos, somos homens e mulheres às voltas com uma vida, que nem sempre é fácil. Mas podemos escolher e mudar para melhores caminhos. Podemos pedir desculpa, podemos melhorar, podemos perdoar. Podemos dar tempo ao tempo e tentar de novo, conhecer outras pessoas, outras oportunidades, outros amigos, outros amores....


I've used hammers made out of wood

i have played games with pieces and rules
i undeciphered tricks at the bar
but now you're gone, i haven't figured out why
i've come up with riddles and jokes about war
i've figured out numbers and what they're for
i've understood feelings and i've understood words
but how could you be taken away?

and wherever you've gone
and wherever we might go

it don't seem fair...today just disappeared
your light's reflected now, reflected from afar
we were but stones, your light made us stars

with heavy breath, awakened regrets
back pages and days alone that could have been spent, together..
but we were miles apart
every inch between us becomes light years now
no time to be void or save up on life
you got to spend it all..

and wherever you've gone
and wherever we might go

it don't seem fair...you seem to like it here
your light's reflected now, reflected from afar
we were but stones, your light made us stars

and wherever you've gone
and wherever we might go

it don't seem fair...today just disappeared
your light's reflected now, reflected from afar
we were but stones, your light made us stars...

Pearl Jam in "Binaural"


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Diante de uma criança

Como fazer feliz meu filho? Não há receitas para tal. Todo o saber, todo o meu brilho de vaidoso intelectual vacila ante a interrogação gravada em mim, impressa no ar. Bola, bombons, patinação talvez bastem para encantar? Imprevistas, fartas mesadas, louvores, prêmios, complacências, milhões de coisas desejadas, concedidas sem reticências? Liberdade alheia a limites, perdão de erros, sem julgamento, e dizer-lhe que estamos quites, conforme a lei do esquecimento? Submeter-se à sua vontade sem ponderar, sem discutir? Dar-lhe tudo aquilo que há de entontecer um grão-vizir? E se depois de tanto mimo que o atraia, ele se sente pobre, sem paz e sem arrimo, alma vazia, amargamente? Não é feliz. Mas que fazer para consolo desta criança? Como em seu íntimo acender uma fagulha de confiança? Eis que acode meu coração e oferece, como uma flor, a doçura desta lição: dar a meu filho meu amor. Pois o amor resgata a pobreza, vence o tédio, ilumina o dia e instaura em nossa natureza a imperecível alegria.

um poema de Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma questão de "Opção"

Uma opinião muito pessoal, e uma vez que é do domínio público:

No dia 11 de Fevereiro, pela manhã, a Comissão Sindical do STAL, promoveu em Alverca do Ribatejo, uma jornada de luta, com alguns trabalhadores afectos à Junta de Freguesia de Alverca, nomeadamente, cantoneiros de limpeza, jardineiros e auxiliares de serviços gerais, denominados agora, como Assistentes Operacionais.

Os trabalhadores envolvidos, debatem-se pelo direito à “opção gestionária”, direito este que ainda lhes é reservado, para que possam ser promovidos em termos de carreira e actualização dos seus salários, tendo em conta a sua avaliação.

Nota: Opção gestionária – artigo 46.º da Lei n.º 12-A/2008 de 27/2. Alteração do posicionamento remuneratório, em que, resumidamente refere:

· Considerando as verbas orçamentais previstas ou destinadas a suportar a alteração do posicionamento remuneratório, o órgão máximo, decide se, e em que medida se propõe suportar os encargos decorrentes destas alterações, incluindo a alteração da categoria ou serviço.

· Fixa, fundamentadamente, o montante máximo, dos encargos que se propõe suportar, bem como, onde, as alterações do posicionamento remuneratório, podem ter lugar.

· Pode ainda acontecer que, as alterações podem não ter lugar em todas as carreiras, ou em todas as categorias de uma mesma carreira, ou ainda, relativamente a todos os trabalhadores integrados em determinada carreira.

De referir que, o actual Presidente de Junta, praticou a “opção gestionária” apenas a 6 trabalhadores, deixando todos os outros, que também acumulavam as condições para serem promovidos, “para trás”, injustificadamente, considerando que havia dotação prevista no orçamento, para este universo de trabalhadores.

É também importante referir, que a este universo de trabalhadores, em média, equivalem salários inferiores ou equivalentes a € 500,00 aproximadamente. Os mesmos não são promovidos tanto nas carreiras como nos salários há pelo menos 12 anos, tendo em conta o congelamento das mesmas e a falta de consideração do executivo. Não têm tido qualquer formação profissional, o fardamento que usam, para sua protecção é paupérrimo.

Desde já esclarecer uma coisa, o problema não está em quem foi promovido, o problema está sim, em quem não foi, e porque não foi. Infelizmente e como era de se esperar, esta situação criou algum mau estar entre as pessoas."Dividir para reinar" é o que acontece. Há "opções" que eu não entendo:

Porquê se proporem a um trabalho público, se não é o bem da população ou da comunidade que se pretende?

Não é mais fácil trabalhar com um grupo de pessoas motivadas e satisfeitas?

Porque é que nas autarquias locais, se gasta tanto dinheiro dos contribuintes desnecessariamente, e não se promovem os trabalhadores que se dedicam ao seu trabalho, os quais, dentro das suas capacidades, dão o melhor que podem e que sabem?

Já para não falar daqueles ordenados pincipescos que se pagam àqueles senhores que ocupam um posto de trabalho de confiança politica, como se chama?, os acessores!!... se nos lembrarmos de comparar os __mil e tal euros que ganham, contando com as ajudas de custo, os carros e os telemóveis que estão à disposição, é quanto a mim, no mínimo imoral, comparando com os € 100, que sejam!, que estes trabalhadores receberiam a mais por cada mês.

A crise social que se vive e a constante desvalorização laboral à qual acresce obrigatoriamente a desvalorização humana, julgo, que no mínimo, moralmente o executivo da Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo, deveria de olhar para os funcionários que tem, e tratá-los com mais dignidade, que é a que merecem.

Dignidade é aquela palavra que se aplica, é aquilo que o Sr. Presidente da Junta não teve, pois durante a manifestação, nunca se dirigiu aos seus trabalhadores para conversar ou para chegar a algum acordo, além de ter chamado a polícia ao local, que, a meu ver, trataram todos os presentes com muito respeito.

Veremos o que acontecerá. Aguardando...