Artigo 2.º Transposição de directivas comunitárias
» o trabalhador que exerça actividade por conta própria deve efectuar um seguro que garanta o pagamento das prestações previstas nos artigos indicados no número anterior e respectiva legislação regulamentar.
a permanente actualização dos conhecimentos e competências, desde a entrada na vida activa, e proporcionar os apoios públicos ao funcionamento do sistema de formação profissional.
Artigo 12.º Norma revogatória
b) acordo colectivo: entre associação sindical e uma pluralidade de empregadores para diferentes empresas;
c) acordo de empresa: entre associação sindical e um empregador para uma empresa ou estabelecimento.
Artigo 4.º Igualdade de tratamento de trabalhador estrangeiro ou apátrida
Artigo 9.º Contrato de trabalho com regime especial
__ CAPÍTULO I Disposições gerais
___ SECÇÃO I Contrato de trabalho
Artigo 11.º Noção de contrato de trabalho
Artigo 38.º em caso de interrupção da gravidez
» 120 ou 150 dias consecutivos (distribuídos entre a mãe e pai);
» a mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito, durante o tempo que durar a amamentação;
» no caso de não haver amamentação, desde que ambos os progenitores exerçam actividade profissional, qualquer deles ou ambos, consoante decisão conjunta, têm direito a dispensa para aleitação, até o filho perfazer um ano.
» a dispensa diária para amamentação ou aleitação é gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
» no caso de nascimentos múltiplos, a dispensa referida no número anterior é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo além do primeiro.
» Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempo parcial, a dispensa diária para amamentação ou aleitação
é reduzida na proporção do respectivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.
» por ano: 175 h (trabalhador a tempo inteiro em microempresa ou pequenas empresa) *1
» por ano: 150 h (trabalhador a tempo inteiro em média ou grande empresa) *1
» por ano: 80h ou em proporção com as situações anteriores (trabalhador a tempo parcial) *1,*2
...Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar...
Esta música, da autoria de Chico Buarque, inspirada na revolução dos cravos de 25 de Abril de 1974, foi editada integralmente apenas em Portugal em 1975! No Brasil, naquela altura, a letra da música foi censurada e foi apenas editada uma versão instrumental!
Fica aqui uma lembrança simbólica daquilo que é, por um lado a falta de liberdade de expressão, por outro a alegria expressada por alguém do outro lado de tanto mar brindando à nossa alegria!
MDC
valor para apoiar projectos na Grande Lisboa (construção e recuperação de 22 escolas do 1º ciclo e rede pré-escolar de 13 municípios, programas de visitação de áreas protegidas em Vila Franca de Xira e no Parque Natural Sintra-Cascais, um Laboratório de Ideias em Almada, a modernização da rede de escolas de hotelaria de Setúbal; uma exposição sobre o mundo português nos séculos XVI e XVII; criação de Orquestras Sinfónicas Juvenis com a participação de jovens de bairros críticos de seis municípios: Amadora, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra e Vila Franca de Xira); 18 milhões de euros são fundos comunitários disponibilizados através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para a Área Metropolitana de Lisboa
valor investido pelo Governo na compra de 400 mil doses de vacinas destinadas à prevenção do cancro do colo do útero
23 de Abril
fonte: UNESCO
Livros
Tropeçavas nos astros desastradaQuase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...
(...)Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azuladaNa vertigem do cinemaMando um abraço prá tiPequenina como se eu fosseO saudoso poetaE fosses a Paraíba...(...)Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...
(...)Eu sou um leão de fogoSem ti me consumiriaA mim mesmo eternamenteE de nada valeriaAcontecer de eu ser genteE gente é outra alegriaDiferente das estrelas...(...)De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...
(...)Na sacada dos sobradosDas cenas do SalvadorHá lembranças de donzelasDo tempo do ImperadorTudo, tudo na BahiaFaz a gente querer bemA Bahia tem um jeito...Terra! Terra!Por mais distanteO errante naveganteQuem jamais te esqueceria?Terra!
» Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira
» O Homem que Sabia Contar, Malba Tahan
» Dom Quixote, Miguel Cervantes
» Dicionário Khazar (versão feminina), Milorad Pavic
» O Rei, o Sábio e o Bobo, Shafique Keshavjee
» Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, Ondjaki
» Crônicas, Óscar Niemeyer
» Jerusalém, Gonçalo M. Tavares
» Requiem para o navegador solitário, Luís Cardoso
» Requiem por Irina Ostrakoff, Leal de Carvalho
» O Apocalipse dos Trabalhadores , Valter Hugo Mãe
» Toda a Geografia do Mundo, Jean Claude Barreau & Guillaume Bigot
» A Última Colina, Urbano Tavares Rodrigues
» Terra do pecado, José Saramago
» Manual de pintura e caligrafia, José Saramago
» Objecto quase, José Saramago
» Poética dos cinco sentidos - O ouvido, José Saramago
» Levantado do chão, José Saramago
» A jangada de pedra, José Saramago
» A bagagem do viajante, José Saramago
» Cadernos de Lanzarote, José Saramago
» O homem duplicado, José Saramago
» Que farei com este livro?, José Saramago
» A segunda vida de Francisco de Assis, José Saramago
» In Nomine Dei, José Saramago
» As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
» Cosmicómicas, Italo Calvino
» O Perfume, Patrick Süskind
» Memorial do convento, José Saramago
» O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago
» História do Cerco de Lisboa, José Saramago
» Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago
» Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago
» Todos os nomes, José Saramago
» O conto da ilha desconhecida, José Saramago
» A caverna, José Saramago
» Ensaio sobre a lucidez, José Saramago
» As intermitências da morte, José Saramago
» As pequenas memórias, José Saramago
» A Viagem do Elefante, José Saramago
...filmes que quero ver...
» Metropolis, Fritz Lang
» No Country for Old Men / Este país não é para velhos, Ethan e Joel Coen
» Shine / Simplesmente Genial, Scott Hicks
» Mar Adentro, Alejandro Amenábar
» A Comédia de Deus, João César Monteiro
» A Valsa com Bashir, Ari Folman
» Slumdog Millionaire, Danny Boyle
» A Onda, Dennis Gansel
» Persepolis, Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
» Garapa, José Padilha
» Scoop, Woody Allen
» Match Point, Woody Allen
» Big Fish, Tim Burton
» Le fabuleux destin d'Amélie Poulain / O Fabuloso Destino de Amelie, Jean-Pierre Jeunet
» Magnolia, Paul Thomas Anderson
» Blindness, Fernando Meirelles
» Sicko, Michael Moore
» Gato Preto Gato Branco, Emir Kusturika
» A Laranja Mecânica, Stanley Kubrick
» Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen
» Marisa Monte
» Mesa: Para Todo o Mal
» Mike Patton
» Radiohead: In Rainbows
» Fausto Bordalo Dias
» Dave Matthews Band
» Deolinda: Canção ao Lado
» Fiona Apple: Extraordinary Machine
» Gaiteiros de Lisboa
» Incubus: Science
» Lume Big Band
» Kumpania Algazarra
» Maria Rita
» Olissipo
» Ornatos Violeta: Cão!
» Tora Tora Big Band

in matanzero.blogspot.com
O povo pertencia a um país chamado Timor-Leste a quem a liberdade chamou Lorosae. Saímos à rua e um país nasceu – não por nós, mas porque o país queria nascer. Mas saímos e rezámos e demos as mãos e fomos ao parlamento, a Estrasburgo, a Washington e New York e a verdade é que o país nasceu. Antes tínhamos saído à pressa de um território que durante 500 anos ocupámos, deixando ao abandono e à saciedade indonésia um território com povo lá dentro. Um povo que queria ser um povo de um território enfim deles mas que só por remorso e distância mereceu o nosso compadecimento – mas que mal ou bem conquistou a sua independência. Também porque saímos à rua e rezamos e demos as mãos e fomos a Estrasburgo, Washington, New York, sei lá, fizemos o que tinha que ser feito e não há mais ditos.
Imaginem outro país, mais perto. Alguém tinha fugido de lá e deixado à saciedade de outros um território com povo lá dentro, um povo que queria ser livre. Os outros entraram e não querem sair. Reconhecem a história?
Falo do Sahara Ocidental, onde passei a semana de Páscoa, junto de mais 42 portugueses, naquela que foi a maior delegação nacional a este país ocupado por Marrocos desde 1975, depois de Espanha ter fugido de lá. Eu e os meus companheiros, com as capacidades que temos, vamos tentar fazer com que, mais uma vez, por solidariedade genuína, os portugueses saiam à rua, rezem, dêem as mãos, se dirijam às instâncias necessárias, terrenas ou etéreas, para que, como Timor, também o povo Saharaui possa ser livre, num território que é o seu e que desejam porque é seu.
Vou aproveitar também este espaço para falar sobre a viagem e as experiências que vivi, que vivemos. Para discutir sobre a viagem e também sobre o que há a fazer para que, enfim, se fale mais da realidade do Sahara Ocidental, alterando a situação daquele povo que espera e luta por um país. Como já demonstrámos que somos capazes de fazer…"
Para quem não sabe, voar é uma coisa bastante fácil. Basta termos asas. Eu explico. O ar que passa nas asas divide-se em duas partes, uma passa por cima e cria uma depressão, a outra por baixo que dá sustentação. O melhor exemplo é soprar numa folha. Não vou dar mais termos técnicos porque acho que não é assim tão importante. O que é importante é a sensação em si.
Hoje voei sem sair de casa. Vi as fotos que guardo no computador e parecia que estava em casa. Chorei, ri e cantei enquanto bebia cerveja e fumava cigarros. A tarde parecia não acabar. Quem me dera estar com os meus amigos para partilhar estes momentos.
Percebi que não vou viver para sempre, e é realmente uma pena. Logo agora que eu estava a apreciar a vida!
Para quem me conhece, sabem que não desejo mal a ninguém, vê-se logo pelo meu sorriso quando alguém me dirige a palavra, mesmo que não conheça a pessoa. Um dia espero voltar e reencontrar os sorrisos que me fazem chorar de alegria.
O meu sonho continua. Voar, cada vez mais alto, e se cair a pique, não faz mal, desde que tenha um bom pára-quedas. Porque voar é a melhor sensação do mundo…
O tempo voa, e nós voamos com ele.
#02: estou furiosa porque as telecomunicações em Portugal são um mercado monopolizado, com preços absurdos e eu só quero um serviço de internet fixa em casa... só isso... não quero telefone, nem televisão por cabo, nem uma prestação mensal exorbitante! Onde é que está o choque tecnológico!?#03: entretanto, nas últimas semanas, inspirada pela mensagem de Augusto Boal e por oportunidades criadas por bons amigos e familiares, levei um revigorante banho de teatro! Assisti:
» "A MÃE", de Bertolt Brecht, na Culturgest... absolutamente extraordinário! Ainda em cena, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães!
» "O PAI?", de August Strindberg, pelo Grupo de Teatro "Esteiros"... intenso!
» "OS MAIAS", uma adaptação muito interessante de António Torrado a partir da obra de Eça de Queiroz, no Teatro da Trindade... ficou aquém das expectativas, com um manequim no papel principal, rodeado de bons actores! Faltou o arrebator final (o mesmo que me arrebatou quando li o livro), era fácil... era só sairem a correr plateia fora pela vida e pelos amigos!
» "A FAN... FARRA", a partir de Karl Valentin, pelo CEGADA Grupo de Teatro, com os formandos da última Oficina de Teatro... a minha segunda família a crescer com muito talento e energia, o que é uma grande alegria!
» "ESTA NOITE IMPROVISA-SE", de Luigi Pirandello, uma co-produção ARTISTAS UNIDOS/Teatro D. Maria II... pela primeira vez fui ao Teatro Nacional para assistir a um espectáculo desconcertante... porque é importante desmontar a vida para percebê-la melhor!
Até breve!
MDC
Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.*Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!*Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.*Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.*Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis.*Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.*Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.*Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.*Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!*Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!
“Amigo, maior que o pensamento. Por essa estrada amigo vem. Não percas tempo que o vento é meu amigo também. Em terra, em todas as fronteiras. Seja bem-vindo quer vier por bem. Se alguém houver que não queira trá-lo contigo também”.
Se pudesse comprar palavras, estas, seria por certo dono delas. Mas, o seu a seu dono, são palavras de José (Zeca) Afonso, da cantiga – “Traz um amigo também”.
É no ano que completo quarenta anos de vida no teatro, que a minha memória me leva ao ano de 1969, no Grupo dos Modestos (extinto em 1988), na peça “TODO O MUNDO E NINGUÉM”, de Gil Vicente, no papel de Dinato, com encenação de Leandro Vale. A ANTA trouxe-me até aqui, depois de tanto intervir no seu sítio, umas vezes, com palavras certas, outras vezes, com palavras a passear…
Mas, como não somos donos das palavras, nem tão pouco as podemos comprar, somos às vezes, (muitas vezes), escravos da palavra. É por isso que o meu “dom da palavra” me impulsiona a escrever:
- O teatro de amadores das associações tem de facto um “papel principal” no desenvolvimento cultural dos locais e regiões onde está inserido.
E tal como o ensino básico, é uma “escola” necessária no desenvolvimento social da população, por isso, os amadores de teatro das associações, devem ser responsáveis e terem orgulho de pertencerem à grande região que produz teatro no nosso País.
E, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na Sociedade através das suas mais diversas actividades, mais orgulhosos podemos estar.
Daí que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o teatro nos merece, sermos (nos ensaios, nos espectáculos, todos os dias) responsáveis, pelo que significa o teatro de amadores das associações, ou como digo: (expressão que criei) o teatro associativo.
E quando se falar na “reforma artística”, devemos antes saber (e por isso é prioritário) o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
A criatividade, o espírito de sacrifício e a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases sócio-culturais importantes, que o teatro coloca à disposição da sociedade substituindo, em grande medida, o “papel principal” dos governantes.
Então, chegados a este conhecimento, sabemos que, com a nossa “mão-de-obra barata”, colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, conscientes de que prestamos um serviço sócio-cultural à sociedade.
E, não é pelo facto de sermos compulsivamente apaixonados “AMANTES DE TALMA “, que a nossa paixão é cega.
Sabemos, que hoje, e cada vez mais, é necessário saber “suar a camisola”.
Todos sabemos o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Sabemos que a tarefa não é fácil pois, infelizmente, ainda há muito “boa gente” que julga que
o teatro de amadores das associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer.
Pior é quando pensam que pelo facto de ser AMADOR... serve de desculpa!
E mais, não se importam nada de ouvirem dizer “Para amadores não está mal” , e até consideram um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Companheiros:
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento, o quanto é prioritário alterar esta forma de estar e pensar o teatro produzido nas associações.
Todos nós já recebemos muitas manifestações de apreço de organismos, de instituições e personalidades, que nos dizem que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população é uma mais-valia sócio-cultural, associativa e artística. Mas, apesar de todos estes incentivos, temos que (peça a peça), ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nossos pedidos de apoio, uma exigência fútil, mas sim, uma pretensão que nos assiste quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho e servir com melhor qualidade as populações.
Também sabemos, e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “nosso teatro” só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.
E quando digo “crescer” refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens e, por que não, dos adultos.
Todas as artes são importantes e, neste caso particular, o teatro, para a formação dos cidadãos, e quanto mais pequenos melhor.
Podemos não saber o que é que queremos que eles aprendam mas, que devem aprender uma arte, isso devem.
Com esta aprendizagem, vão ter por certo uma melhor visão da vida e do mundo e, como sabemos, as crianças expressam-se naturalmente. Faz parte da sua descoberta do mundo que as rodeia.
Experimentam coisas através de um jogo permanente com a realidade.
Tal como as crianças, os jovens e os adultos, têm no teatro esse prazenteiro jogo do «fazer-de-conta», que possibilita conhecer melhor as humanidades.
Claro que não será por isso que todos serão técnicos ou intérpretes mas serão, por certo, cidadãos com princípios éticos, capazes de saber partilhar e ter conceitos mais ricos e diversificados.
E se pensarmos que primeiro aprendemos a falar e, depois, mais tarde, na escola, aprendemos o abecedário, podemos ter em conta que no teatro se pode e deve aplicar esta verdade como princípio.
Primeiro aprender a cultura e a ética teatral, ter urbanidade para e com a arte e, depois, mais tarde, na “escola”, aprender a formação técnica e artística.Se quiserem ter a compreensão de que esta base ética é fundamental, o teatro de amadores das associações é, (deve e pode ser), uma boa escola da vida.
Estar ou ser do teatro, é um confronto permanente com a realidade.
Os primeiros contactos devem ser de forma lúdica e divertida o que os torna, mais tarde, activos e com sentido crítico e participativo.
Aprende-se com todos os sentidos e fica-se mais aberto àquilo que desconhecemos.
É bom que se entenda que o teatro, tal como as outras artes, é um espaço de liberdade e criatividade, onde existe a possibilidade de criar uma mudança de atitude.
Como diz Kant: - «apenas os gostos se discutem»
Mas, no teatro, discutir é procurar estabelecer pontes, é falar das emoções e vivências partilhadas tendo por base experiências de vida muito diferentes.
O papel do teatro é esse mesmo: - Proporcionar um sonho de comunidade entre indivíduos distintos.
Estar no teatro é muito mais do que se imagina, ou do que aquilo que se pode encontrar nos livros.
Ser do teatro é saber que há objectos inúteis mas que contêm em si os mais elevados valores.
O teatro é um curso, que nem uma vida inteira chega para o concluir. Por isso se diz:
- “O que custa mais, são os primeiros 30 anos”
No teatro, nada é mais importante do que proporcionar a possibilidade de ser cada vez melhor, com a certeza saudável de que nunca se atingirá a perfeição.
E assim, será muito mais possível acreditar num futuro melhor.
Num futuro onde hajam Mulheres e Homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social e na sua qualidade de vida cultural mas, também, para contribuírem para o desenvolvimento do local onde estão inseridos.
Mas para isso não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas e artísticas, pois sabemos que, cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.
Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.
Cabe, por isso, aos dirigentes artísticos e associativos, aos agentes culturais, aos patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às autarquias, (já que o governo central não aceita pedidos de apoio dos amadores de teatro) um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento sócio-cultural das artes dos palcos associativos.
Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, com “a “mão-de-obra barata” que somos A LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.
Valha-nos a muita paixão que sentimos pelo teatro, valha-nos a muita perseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País que somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos, que acreditam no trabalho dos amadores de teatro, vai sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sócio-cultural , chamada TEATRO. Valha-nos isso.
Mas não nos devemos esquecer o quanto é importante saber o que é A RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
O teatro de amadores das associações é, de facto, e sem demagogias, uma grande escola de humanização para a vida social, cultural e associativa.
instituído pela UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em 1999


Podem espreitar mais pormenores no link em baixo:
http://especial.sapo.pt/che/
Casa dos Bicos, Lisboa c.1950 » Geocaching