terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja

Na hora da partida, ficam as recordações...
Sem dúvida, uma das presenças televisivas mais felizes da minha infância...
Deixo a ligação para uma Entrevista...


MDC
segunda-feira, 4 de maio de 2009

Código do Trabalho: apontamentos

Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro
Artigo 1.º Aprovação do Código do Trabalho
Artigo 2.º Transposição de directivas comunitárias
Artigo 3.º Trabalho autónomo de menor (idade mínima)
» um menor com idade inferior a 16 anos não pode ser contratado para realizar uma actividade remunerada prestada com autonomia, excepto caso tenha concluído a escolaridade obrigatória e se trate de trabalhos leves.
Artigo 4.º Acidentes de trabalho e doenças profissionais
» o regime previsto nos artigos 283.º e 284.º aplica -se igualmente: a praticante, aprendiz, estagiário e demais situações de formação profissional; a administrador, director, gerente ou equiparado, sem contrato de trabalho, que seja remunerado; a prestador de trabalho, sem subordinação jurídica, que desenvolve a sua actividade na dependência económica, nos termos do artigo 10.º;
» o trabalhador que exerça actividade por conta própria deve efectuar um seguro que garanta o pagamento das prestações previstas nos artigos indicados no número anterior e respectiva legislação regulamentar.
Artigo 5.º Regime do tempo de trabalho
Artigo 6.º Deveres do Estado em matéria de formação profissional
» compete ao Estado garantir o acesso dos cidadãos à formação profissional, permitindo a todos a aquisição e
a permanente actualização dos conhecimentos e competências, desde a entrada na vida activa, e proporcionar os apoios públicos ao funcionamento do sistema de formação profissional.
Artigo 7.º Aplicação no tempo
Artigo 8.º Revisão de estatutos existentes
Artigo 9.º Extinção de associações
Artigo 10.º Regime transitório de sobrevigência e caducidade de convenção colectiva
Artigo 11.º Regiões Autónomas
Artigo 12.º Norma revogatória
Artigo 13.º Aplicação das licenças parental inicial e por adopção a situações em curso
Artigo 14.º Entrada em vigor
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Anexo CÓDIGO DO TRABALHO
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LIVRO I Parte geral
_ TÍTULO I Fontes e aplicação do direito do trabalho
__ CAPÍTULO I Fontes do direito do trabalho
Artigo 1.º Fontes específicas
Artigo 2.º Instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho
» podem ser negociais (convenções):
a) contrato colectivo: entre associação sindical e associação de empregadores;
b) acordo colectivo: entre associação sindical e uma pluralidade de empregadores para diferentes empresas;
c) acordo de empresa: entre associação sindical e um empregador para uma empresa ou estabelecimento.
» ou não negociais:
a) portaria de extensão;
b) portaria de condições de trabalho;
c) a decisão arbitral em processo de arbitragem obrigatória ou necessária.
Artigo 3.º Relações entre fontes de regulação
*
__ CAPÍTULO II Aplicação do direito do trabalho
Artigo 4.º Igualdade de tratamento de trabalhador estrangeiro ou apátrida
» o trabalhador estrangeiro ou apátrida (...) goza dos mesmos direitos e está sujeito aos mesmos deveres do trabalhador com nacionalidade portuguesa.
Artigo 5.º Forma e conteúdo de contrato com trabalhador estrangeiro ou apátrida
Artigo 6.º Destacamento em território português
Artigo 7.º Condições de trabalho de trabalhador destacado
Artigo 8.º Destacamento para outro Estado
Artigo 9.º Contrato de trabalho com regime especial
Artigo 10.º Situações equiparadas
*
_ TÍTULO II Contrato de trabalho
__ CAPÍTULO I Disposições gerais
___ SECÇÃO I Contrato de trabalho
Artigo 11.º Noção de contrato de trabalho
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____ SUBSECÇÃO IV Parentalidade (licenças e dispensas)
Artigo 37.º em situação de risco clínico da gravidez
» tempo que por prescrição médica for considerado necessário.
Artigo 38.º em caso de interrupção da gravidez
» entre 14 e 30 dias
Artigo 46.º dispensa para consulta pré-natal
» a trabalhadora grávida tem direito a dispensa pelo tempo e número de vezes necessários;
» a trabalhadora deve comparecer a consulta pré -natal fora do horário de trabalho;
» a preparação para o parto é equiparada a consulta pré-natal;
» o pai tem direito a três dispensas do trabalho para acompanhar a trabalhadora às consultas pré-natais.
Artigo 40.º licença parental inicial
» 120 ou 150 dias consecutivos (distribuídos entre a mãe e pai);
» mais 30 dias, no caso de cada um dos progenitores gozar, em exclusivo, um período de 30 dias consecutivos, ou dois períodos de 15 dias consecutivos, após o período de gozo obrigatório pela mãe;
» mais 30 dias por cada gémeo além do primeiro
Artigo 41.º licença parental exclusiva da mãe
» até 30 dias da licença antes do parto;
» é obrigatório o gozo de 6 semanas a seguir ao parto.
Artigo 43.º licença parental exclusiva do pai
» 10 dias úteis: é obrigatório, seguidos ou interpolados, nos 30 dias seguintes ao nascimento do filho, 5 dos quais gozados de modo consecutivo imediatamente a seguir a este;
» 10 dias úteis após o gozo da licença anterior, o pai tem ainda direito a de licença, seguidos ou interpolados, desde que gozados em simultâneo com o gozo da licença parental inicial por parte da mãe; no caso de nascimentos múltiplos, à licença prevista nos números anteriores acrescem 2 dias por cada gémeo além do primeiro
» dispensa para amamentação ou aleitação:
» a mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito, durante o tempo que durar a amamentação;
» no caso de não haver amamentação, desde que ambos os progenitores exerçam actividade profissional, qualquer deles ou ambos, consoante decisão conjunta, têm direito a dispensa para aleitação, até o filho perfazer um ano.
» a dispensa diária para amamentação ou aleitação é gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
» no caso de nascimentos múltiplos, a dispensa referida no número anterior é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo além do primeiro.
» Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempo parcial, a dispensa diária para amamentação ou aleitação
é reduzida na proporção do respectivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.
Artigo 44.º licença por adopção de crianças com menos de 15 anos: períodos iguais aos da licença parental inicial; no caso de adopções múltiplas, acrescem 30 dias por cada adopção além da primeira.
Artigo 45.º dispensa para avaliação para a adopção: 3 dispensas de trabalho para deslocação aos serviços da segurança social ou recepção dos técnicos em seu domicílio, devendo apresentar a devida justificação ao empregador.
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Subsecção VII Trabalho Suplementar (horas extra)
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Artigo 226.º Noção: trabalho prestado fora do horário de trabalho.
Artigo 228.º Limites máximo de horas por trabalhador:
» em dia normal de trabalho: 2h
» em dia de descanso: n.º de horas igual ao período normal de trabalho diário
» por ano: 175 h (trabalhador a tempo inteiro em microempresa ou pequenas empresa) *1
» por ano: 150 h (trabalhador a tempo inteiro em média ou grande empresa) *1
» por ano: 80h ou em proporção com as situações anteriores (trabalhador a tempo parcial) *1,*2
*1 através de instrumento colectivo de trabalho poderá aumentar para 200h/ano;
*2 mediante acordo escrito com o trabalhador poderá aumentar até 130h/ano
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...artigo em contrução,
baseado no Código do Trabalho em vigor em Portugal

MDC
sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia Internacional do Trabalhador

1º de Maio

Hoje uma rapariga uns 10 anitos mais nova que eu perguntou-me "porque é que hoje é feriado!?"... Fiquei surpreendida com a pergunta, por diversas razões e mais uma, o facto de ela a ter dirigido a mim... Pensei um pouco... Para que servem estes Dias Internacionais disto e daquilo!? Servem para reflectirmos um pouco sobre o tema em questão... Servem para recordar acontecimentos importantes no desenvolvimento cultural e social da humanidade! Às vezes, servem também para animar o comércio em alturas mais paradas!
*
Este dia porém, tem uma característica diferente da maior parte dos outros, porque se refere não a uma minoria, mas a uma maioria, não a uma ideia religiosa de fé, mas a uma ideia concreta que nos influencia todos os dias, os que trabalhamos e os que descansamos do trabalho!
*
Mas não foi isto que me lembrei de lhe dizer... O que eu lhe disse mais ou menos, foi que este dia lembrava que nem sempre foi assim... Nem sempre, aqueles que trabalham tiveram horário, ou férias, ou ordenado fixo... Pelo contrário, até há pouco tempo atrás, havia, inclusivamente no nosso país, praças da jorna, onde aqueles homens que não tinham meios de produção, nem terra para cultivar, nem máquinas para fabricar, íam bem cedo, a fim de serem escolhidos por algum outro homem que detivesse esses bens e pagasse pelo seu trabalho durante pelo menos 1 dia... E, se recuarmos um pouco mais atrás no tempo, todos sabemos que já existiu pior, a escravatura...
*
Temos vindo a evoluir, é certo... À custa de muita luta feita por homens e mulheres ao longo de muitos anos... Nos últimos 2 séculos, desde a revolução industrial, houve greves e manifestações, protestos e conversações... E a pouco e pouco, tem-se caminhado no sentido de atribuir maior justiça aquela que é a realidade do trabalho, da produção, do lucro... Conforme as coisas estão, existem inveitavelmente dois universos em conflito, o daqueles que detêm uma máquina, uma terra, uma fábrica ou um escritório e aqueles que lá vão trabalhar...
*
Claro que ainda há um longo caminho a percorrer... E muito embora, se oiça por aí que as greves, as manifestações e os sindicatos estão fora de moda, a verdade é que têm sido os caminhos encontrados para procurar equilibrar este confronto...
*
Na altura em que aqui escrevo, em várias cidades do mundo, muitas pessoas percorrem a pé ruas importantes, eventualmente gritando palavras de indignação e exigência... E é assim que o mundo muda, caminhando, dois passos para a frente, um para trás...
*
mais sobre o assunto:
MDC
domingo, 26 de abril de 2009

...o beato Nuno e a miraculada Guilhermina...

Passava eu ao largo desta história, percorrendo na diagonal notícias sobre o assunto quando de súbito, algo não bateu certo!
*
É que primeiro, percebi de soslaio que se provara um milagre de uma cura a um olho queimado de uma senhora, protagonizado por D. Nuno Álvares Pereira... E eu pensei "bolas, como é que se prova uma ocorrência destas, passada há quase 600 anos!?"... E prossegui... Depois, leio mais uma vez na diagonal "alguns portugueses, entre os quais a miraculada Guilhermina de Jesus e o presidente da Fundação da Batalha de Aljubarrota, subirão ao altar domingo para levar as relíquias do Beato Nuno durante as cerimónias"... E então pensei "mau... mas a senhora ainda é viva!? Então, sobrevive durante 600 anos e o milagre foi só no olho!?"... Fui ler melhor!
*
As maravilhas da internet permitem, além de ver melhor, ouvir melhor (coisa pela qual ainda ninguém se lembrou de canonizar os informáticos que a inventaram, o que me parece uma grande injustiça!)... E encontrei isto: Guilhermina de Jesus conta como danificou a vista... Ah... Mas então o milagre deu-se há pouco tempo, através duma contemporânea minha!!! E foram meus contemporâneos que assim o reconheceram, canonizando um homem (ou a ideia dele, presente na terra através das suas relíquias, que é como quem diz, dos seus ossos), mexeram nos cordelinhos lá na hierarquia do céu, fizeram umas promoções... O que no caso da religião cristã tem uma grande vantagem, pois não significa aumento de despesas com ordenados de topo de carreira, mas antes a possibilidade do nome na caixinha dos donativos ser mais conceituado!
*
Ainda assim, estou deveras pasmada!
MDC
sábado, 25 de abril de 2009

Dia da Liberdade

25 de Abril

...Sei, também, quanto é preciso, pá

Navegar, navegar...

Esta música, da autoria de Chico Buarque, inspirada na revolução dos cravos de 25 de Abril de 1974, foi editada integralmente apenas em Portugal em 1975! No Brasil, naquela altura, a letra da música foi censurada e foi apenas editada uma versão instrumental!

Fica aqui uma lembrança simbólica daquilo que é, por um lado a falta de liberdade de expressão, por outro a alegria expressada por alguém do outro lado de tanto mar brindando à nossa alegria!

MDC

quinta-feira, 23 de abril de 2009

...europirâmides...

Acho que já tinha referido a minha dificuldade em compreender a escala dos milhões de euros... No entanto, nos tempos que correm, quase não há notícia que não fale neles! Sendo assim, de vez em quando actualizo esta compilação, por ordem decrescente, dos valores em euros que por aí se forem dando contas... Pode ser que alguma noção de proporção se vá clarificando! Ora, sendo assim, temos:
*
VALORES DA CRISE
4.500.000.000.000€ (4.500 mil milhões)
valor que a crise americana já mobilizou em programas de salvação, pacotes de estímulos e intervenções avulsas desde o seu início; são injecções já feitas ou anunciadas que valem 1/3 do actual Produto Interno Bruto americano
3.000.000.000.000€ (3 biliões)
valor de activos "tóxicos" estimado pelo FMI
50.000.000.000€ (50 mil milhões)
o corretor norte-americano Bernard Madoff, lesou os seus clientes em 50 mil milhões de euros, naquela que é a maior fraude de todos os tempos
LUCROS / PREJUÍZOS
1.075.000.000€ (1,075 mil milhões)
lucros dos bancos portugueses no primeiro semestre de 2008
517.700.000€ (517,7 milhões)
valor dos lucros anunciados pelo Santander Totta, em 2008, o que representa um aumento de 1,5% face a igual período do ano anterior
201.200.000€ (201,2 milhões)
lucro do Millennium BCP em 2008, descendo 64,3% face ao ano anterior
5.500.000€ (5,5 milhões)
lucro das OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico), sediada em Alverca, em 2008
OBRAS / PROJECTOS
406.900.000€ (406,9 milhões)
custo final das obras de ampliação do Aeroporto Sá Carneiro, mais 32% do que o inicialmente previsto!
240.000.000€ (240 milhões)
custo da maior central fotovoltaica do mundo, na Amareleja, Moura; tem capacidade instalada de 46 megawatts e irá produzir energia eléctrica suficiente para 30 mil habitações
170.300.000€ (170,3 milhões)
verba destinada à Assembleia da República, prevista no orçamento de estado para 2009
111.000.000€ (111 milhões)
custo final da construção da Casa da Música, no Porto, projecto de Rem Koolhas (valor 230% superior ao orçamento inicial, com prazo de construção excedido em 4 anos e meio!)
82.000.000€ (82 milhões)
valor para apoiar projectos na Grande Lisboa (construção e recuperação de 22 escolas do 1º ciclo e rede pré-escolar de 13 municípios, programas de visitação de áreas protegidas em Vila Franca de Xira e no Parque Natural Sintra-Cascais, um Laboratório de Ideias em Almada, a modernização da rede de escolas de hotelaria de Setúbal; uma exposição sobre o mundo português nos séculos XVI e XVII; criação de Orquestras Sinfónicas Juvenis com a participação de jovens de bairros críticos de seis municípios: Amadora, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra e Vila Franca de Xira); 18 milhões de euros são fundos comunitários disponibilizados através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para a Área Metropolitana de Lisboa
35.000.000€ (35 milhões)
investimento previsto pelo governo, para abrir 21 novas lojas do cidadão até ao final de 2009
30.000.000€ (30 milhões)
valor pelo qual se encontra à venda o Mouchão da Póvoa
23.000.000€ (23 milhões)
preço de um apartamento no arranha céus rotativo no Dubai Dynamic Tower de David Fisher
» Fev.09, National Geographic
17.000.000€ (17 milhões)
valor investido pelo Governo na compra de 400 mil doses de vacinas destinadas à prevenção do cancro do colo do útero
13.000.000€ (13 milhões)
...nova biblioteca de Angra do Heroísmo, projecto de Inês Lobo...
12.500.000€ (12,5 milhões)
valor dado por um quadro de Zhu Zebin, estabelecendo um novo recorde para um artista chinês contemporâneo
12.000.000€ (12 milhões)
custo de construção do TEMPO Teatro Municipal de Portimão, no antigo Palácio Sárrea Prado, projecto do Arq. Troufa Real
5.150.000 (5,15 milhões)
em 2009 e 2011 as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo
ORDENADOS / CONSUMO
250.000€ (250 mil)
rendimento anual do governador do Banco Central de Portugal, Vítor Constâncio, 18 vezes mais que o rendimento per capita nacional, é dos banqueiros centrais do mundo com maior rendimento (muito mal pago, digo eu), só ultrapassado pelos seus homólogos chinês e italiano
3.708€
salário-base dos deputados; corresponde a 50% do vencimento do presidente da República; os subsídios de férias e de Natal são pagos em Junho e em Novembro e têm direito a 10% do salário para despesas de representação; também lhes são pagos abonos de transporte entre a residência e São Bento uma vez por semana; por cada deslocação semanal ao círculo de eleição, um deputado do Porto, por exemplo, pode receber mais dois mil euros, além do ordenado
624€
ordenado mínimo nacional, em vigor em 2009, em Espanha
450€
ordenado mínimo nacional, em vigor em 2009, em Portugal
0,65€
preço de uma refeição no Vietnam
0,55€
preço de um café na rua onde eu trabalho (Lisboa)
MDC

23 de Abril
fonte: UNESCO


Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

Caetano Veloso
quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia da Terra e do Património Geológico

22 de Abril

Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...
(...)

Ninguém supõe a morena

Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba...
(...)

Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...
(...)

Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas...
(...)
De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...
(...)
Na sacada dos sobrados
Das cenas do Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!
Caetano Veloso
*
Um apelo em forma de filme lançado pela Greenpeace...

MDC
terça-feira, 21 de abril de 2009

...memorando cultural...

...livros que quero ler...
» (...), Alain de Botton
» Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira
» Teatros em Portugal, Duarte Ivo Cruz
»
O Homem que Sabia Contar, Malba Tahan
» Dom Quixote, Miguel Cervantes
» Dicionário Khazar (versão feminina), Milorad Pavic
» O Rei, o Sábio e o Bobo, Shafique Keshavjee
» Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, Ondjaki
» Crônicas, Óscar Niemeyer
» Jerusalém, Gonçalo M. Tavares
» Requiem para o navegador solitário, Luís Cardoso
» Requiem por Irina Ostrakoff, Leal de Carvalho
»
O Apocalipse dos Trabalhadores , Valter Hugo Mãe
» Toda a Geografia do Mundo, Jean Claude Barreau & Guillaume Bigot
» A Última Colina, Urbano Tavares Rodrigues
»
Terra do pecado, José Saramago
»
Manual de pintura e caligrafia, José Saramago
»
Objecto quase, José Saramago
» Poética dos cinco sentidos - O ouvido, José Saramago
»
Levantado do chão, José Saramago
»
A jangada de pedra, José Saramago
»
A bagagem do viajante, José Saramago
»
Cadernos de Lanzarote, José Saramago
»
O homem duplicado, José Saramago
» Que farei com este livro?, José Saramago
» A segunda vida de Francisco de Assis, José Saramago
» In Nomine Dei, José Saramago
» Todos os Contos I, John Cheever
» Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking
» O Remorso de Baltazar Serapião, Valter Hugo Mãe

...os livros que mais gostei...
» As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
» Cosmicómicas, Italo Calvino
» O Perfume, Patrick Süskind
»
Memorial do convento, José Saramago
»
O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago
» História do Cerco de Lisboa, José Saramago
» Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago
» Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago
»
Todos os nomes, José Saramago
»
O conto da ilha desconhecida, José Saramago
»
A caverna, José Saramago
»
Ensaio sobre a lucidez, José Saramago
»
As intermitências da morte, José Saramago
»
As pequenas memórias, José Saramago
» A Viagem do Elefante, José Saramago
» A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

...filmes que quero ver...
»
Metropolis, Fritz Lang
»
No Country for Old Men / Este país não é para velhos, Ethan e Joel Coen
»
Shine / Simplesmente Genial, Scott Hicks
»
Mar Adentro, Alejandro Amenábar
»
A Comédia de Deus, João César Monteiro
»
A Valsa com Bashir, Ari Folman
»
Slumdog Millionaire, Danny Boyle
»
A Onda, Dennis Gansel
»
Persepolis, Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
»
Garapa, José Padilha
»
Scoop, Woody Allen
»
Match Point, Woody Allen
» Water, Deepa Mehta
» “O sal da terra”, Herbert Biberman
» “Blade runner”, Ridley Scott
» “Amarcord”, Fellini
» “A regra do jogo” de Jean Renoir
...filmes que recomendo vivamente...
» Big Fish, Tim Burton
» Le fabuleux destin d'Amélie Poulain / O Fabuloso Destino de Amelie, Jean-Pierre Jeunet
» Dancer in the Dark, Lars von Trier
» Magnolia, Paul Thomas Anderson
» Blindness, Fernando Meirelles
»
Sicko, Michael Moore
»
Gato Preto Gato Branco, Emir Kusturika
» A Laranja Mecânica, Stanley Kubrick
»
Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen

...música que quero ouvir...
» Alice in Chains
» Maria João e Mário Laginha: Chocolate
» Marisa Monte
» Mesa: Para Todo o Mal
» Mike Patton
» Parov Stelar: De Wanna Get
» Radiohead: In Rainbows
» Susana Félix
» Vicente Amigo
...música indispensável...
»
Fausto Bordalo Dias
» Dave Matthews Band
»
Deolinda: Canção ao Lado
» Fiona Apple: Extraordinary Machine
»
Gaiteiros de Lisboa
» Incubus: Science
»
Lume Big Band
»
Kumpania Algazarra
» Maria Rita
»
Olissipo
» Ornatos Violeta: Cão!
»
Tora Tora Big Band
...locais a visitar...
» ITÁLIA: Lampedusa
» PORTUGAL: Picote (aldeia modernista)
» PORTUGAL: Cascais - Casa das Histórias (Museu Paula Rego, projecto de Eduardo Souto Moura)
» ESPANHA: Avilés - Centro Cultural Internacional (projecto de Oscar Niemeyer)
*
...artigo em actualização e aberto a sugestões...
MDC
sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pela Liberdade do Sahara Ocidental


in matanzero.blogspot.com
"Fomos milhares a sair à rua. Vestimo-nos de branco, com vigílias à luz da vela e cordões humanos de encher cidades e atar com a sua vontade o mundo. Unimo-nos como nunca o fomos e lutámos com o ímpeto que se tinha perdido nos suores dos verões quentes. Havia lá longe um povo massacrado e a humanidade que nos resta pedia-nos que agíssemos. Um povo lá longe e, sim, no mais fundo de nós, escondido bem lá para o fundo, o remorso de sabermos que se agora caminhávamos a nós o devíamos por não termos caminhado antes.
O povo pertencia a um país chamado Timor-Leste a quem a liberdade chamou Lorosae. Saímos à rua e um país nasceu – não por nós, mas porque o país queria nascer. Mas saímos e rezámos e demos as mãos e fomos ao parlamento, a Estrasburgo, a Washington e New York e a verdade é que o país nasceu. Antes tínhamos saído à pressa de um território que durante 500 anos ocupámos, deixando ao abandono e à saciedade indonésia um território com povo lá dentro. Um povo que queria ser um povo de um território enfim deles mas que só por remorso e distância mereceu o nosso compadecimento – mas que mal ou bem conquistou a sua independência. Também porque saímos à rua e rezamos e demos as mãos e fomos a Estrasburgo, Washington, New York, sei lá, fizemos o que tinha que ser feito e não há mais ditos.
Imaginem outro país, mais perto. Alguém tinha fugido de lá e deixado à saciedade de outros um território com povo lá dentro, um povo que queria ser livre. Os outros entraram e não querem sair. Reconhecem a história?
Falo do Sahara Ocidental, onde passei a semana de Páscoa, junto de mais 42 portugueses, naquela que foi a maior delegação nacional a este país ocupado por Marrocos desde 1975, depois de Espanha ter fugido de lá. Eu e os meus companheiros, com as capacidades que temos, vamos tentar fazer com que, mais uma vez, por solidariedade genuína, os portugueses saiam à rua, rezem, dêem as mãos, se dirijam às instâncias necessárias, terrenas ou etéreas, para que, como Timor, também o povo Saharaui possa ser livre, num território que é o seu e que desejam porque é seu.
Vou aproveitar também este espaço para falar sobre a viagem e as experiências que vivi, que vivemos. Para discutir sobre a viagem e também sobre o que há a fazer para que, enfim, se fale mais da realidade do Sahara Ocidental, alterando a situação daquele povo que espera e luta por um país. Como já demonstrámos que somos capazes de fazer…"
sexta-feira, 10 de abril de 2009

Na asa de um avião

Parece que foi ontem que andei de avião pela primeira vez. A emoção de descolar, sentir a trepidação durante o voo, olhar pela janela e ver o mundo com outros olhos! Se eu pudesse oferecia uma viagem a todos aqueles que quisessem voar!
Para quem não sabe, voar é uma coisa bastante fácil. Basta termos asas. Eu explico. O ar que passa nas asas divide-se em duas partes, uma passa por cima e cria uma depressão, a outra por baixo que dá sustentação. O melhor exemplo é soprar numa folha. Não vou dar mais termos técnicos porque acho que não é assim tão importante. O que é importante é a sensação em si.
Hoje voei sem sair de casa. Vi as fotos que guardo no computador e parecia que estava em casa. Chorei, ri e cantei enquanto bebia cerveja e fumava cigarros. A tarde parecia não acabar. Quem me dera estar com os meus amigos para partilhar estes momentos.
Percebi que não vou viver para sempre, e é realmente uma pena. Logo agora que eu estava a apreciar a vida!
Para quem me conhece, sabem que não desejo mal a ninguém, vê-se logo pelo meu sorriso quando alguém me dirige a palavra, mesmo que não conheça a pessoa. Um dia espero voltar e reencontrar os sorrisos que me fazem chorar de alegria.
O meu sonho continua. Voar, cada vez mais alto, e se cair a pique, não faz mal, desde que tenha um bom pára-quedas. Porque voar é a melhor sensação do mundo…
O tempo voa, e nós voamos com ele.
terça-feira, 7 de abril de 2009

...pausa...

Provavelmente esta minha pausa editorial durará até ao fim de Abril... É uma pena, pois assunto é coisa que não falta! Deixo-vos alguns tópicos, algumas sugestões de pesquisa e quiçá de novos artigos...
*
#01: está na calha mais uma mega urbanização para o concelho de Vila Franca de Xira, mais propriamente para a zona ribeirinha da Póvos de Santa Íria... (ver mais: AQUI)

#02: estou furiosa porque as telecomunicações em Portugal são um mercado monopolizado, com preços absurdos e eu só quero um serviço de internet fixa em casa... só isso... não quero telefone, nem televisão por cabo, nem uma prestação mensal exorbitante! Onde é que está o choque tecnológico!?

#03: entretanto, nas últimas semanas, inspirada pela mensagem de Augusto Boal e por oportunidades criadas por bons amigos e familiares, levei um revigorante banho de teatro! Assisti:

» "A MÃE", de Bertolt Brecht, na Culturgest... absolutamente extraordinário! Ainda em cena, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães!

» "O PAI?", de August Strindberg, pelo Grupo de Teatro "Esteiros"... intenso!

» "OS MAIAS", uma adaptação muito interessante de António Torrado a partir da obra de Eça de Queiroz, no Teatro da Trindade... ficou aquém das expectativas, com um manequim no papel principal, rodeado de bons actores! Faltou o arrebator final (o mesmo que me arrebatou quando li o livro), era fácil... era só sairem a correr plateia fora pela vida e pelos amigos!

» "A FAN... FARRA", a partir de Karl Valentin, pelo CEGADA Grupo de Teatro, com os formandos da última Oficina de Teatro... a minha segunda família a crescer com muito talento e energia, o que é uma grande alegria!

» "ESTA NOITE IMPROVISA-SE", de Luigi Pirandello, uma co-produção ARTISTAS UNIDOS/Teatro D. Maria II... pela primeira vez fui ao Teatro Nacional para assistir a um espectáculo desconcertante... porque é importante desmontar a vida para percebê-la melhor!

Até breve!

MDC

sexta-feira, 27 de março de 2009

Dia Mundial do Teatro

27 de Março

A mensagem mundial deste ano foi escrita originalmente em português (do Brasil) por Augusto Boal, no sítio da UNESCO. Deverá ser lida hoje antes de todos os espectáculos de teatro que acontecerem, muitos deles com entrada gratuita e diz assim:
Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.
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Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!
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Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.
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Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.
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Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis.
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Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.
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Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.
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Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
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Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!
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Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!
Augusto Boal
domingo, 22 de março de 2009

Dia Nacional do Teatro de Amadores

21 de Março

“Amigo, maior que o pensamento. Por essa estrada amigo vem. Não percas tempo que o vento é meu amigo também. Em terra, em todas as fronteiras. Seja bem-vindo quer vier por bem. Se alguém houver que não queira trá-lo contigo também”.

Se pudesse comprar palavras, estas, seria por certo dono delas. Mas, o seu a seu dono, são palavras de José (Zeca) Afonso, da cantiga – “Traz um amigo também”.

É no ano que completo quarenta anos de vida no teatro, que a minha memória me leva ao ano de 1969, no Grupo dos Modestos (extinto em 1988), na peça “TODO O MUNDO E NINGUÉM”, de Gil Vicente, no papel de Dinato, com encenação de Leandro Vale. A ANTA trouxe-me até aqui, depois de tanto intervir no seu sítio, umas vezes, com palavras certas, outras vezes, com palavras a passear…
Mas, como não somos donos das palavras, nem tão pouco as podemos comprar, somos às vezes, (muitas vezes), escravos da palavra. É por isso que o meu “dom da palavra” me impulsiona a escrever:

- O teatro de amadores das associações tem de facto um “papel principal” no desenvolvimento cultural dos locais e regiões onde está inserido.

E tal como o ensino básico, é uma “escola” necessária no desenvolvimento social da população, por isso, os amadores de teatro das associações, devem ser responsáveis e terem orgulho de pertencerem à grande região que produz teatro no nosso País.
E, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na Sociedade através das suas mais diversas actividades, mais orgulhosos podemos estar.

Daí que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o teatro nos merece, sermos (nos ensaios, nos espectáculos, todos os dias) responsáveis, pelo que significa o teatro de amadores das associações, ou como digo: (expressão que criei) o teatro associativo.

E quando se falar na “reforma artística”, devemos antes saber (e por isso é prioritário) o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

A criatividade, o espírito de sacrifício e a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases sócio-culturais importantes, que o teatro coloca à disposição da sociedade substituindo, em grande medida, o “papel principal” dos governantes.
Então, chegados a este conhecimento, sabemos que, com a nossa “mão-de-obra barata”, colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, conscientes de que prestamos um serviço sócio-cultural à sociedade.

E, não é pelo facto de sermos compulsivamente apaixonados “AMANTES DE TALMA “, que a nossa paixão é cega.
Sabemos, que hoje, e cada vez mais, é necessário saber “suar a camisola”.
Todos sabemos o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

Sabemos que a tarefa não é fácil pois, infelizmente, ainda há muito “boa gente” que julga que
o teatro de amadores das associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer.
Pior é quando pensam que pelo facto de ser AMADOR... serve de desculpa!
E mais, não se importam nada de ouvirem dizer “Para amadores não está mal” , e até consideram um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

Companheiros:
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento, o quanto é prioritário alterar esta forma de estar e pensar o teatro produzido nas associações.

Todos nós já recebemos muitas manifestações de apreço de organismos, de instituições e personalidades, que nos dizem que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população é uma mais-valia sócio-cultural, associativa e artística. Mas, apesar de todos estes incentivos, temos que (peça a peça), ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nossos pedidos de apoio, uma exigência fútil, mas sim, uma pretensão que nos assiste quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho e servir com melhor qualidade as populações.
Também sabemos, e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “nosso teatro” só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.
E quando digo “crescer” refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens e, por que não, dos adultos.
Todas as artes são importantes e, neste caso particular, o teatro, para a formação dos cidadãos, e quanto mais pequenos melhor.
Podemos não saber o que é que queremos que eles aprendam mas, que devem aprender uma arte, isso devem.
Com esta aprendizagem, vão ter por certo uma melhor visão da vida e do mundo e, como sabemos, as crianças expressam-se naturalmente. Faz parte da sua descoberta do mundo que as rodeia.
Experimentam coisas através de um jogo permanente com a realidade.
Tal como as crianças, os jovens e os adultos, têm no teatro esse prazenteiro jogo do «fazer-de-conta», que possibilita conhecer melhor as humanidades.

Claro que não será por isso que todos serão técnicos ou intérpretes mas serão, por certo, cidadãos com princípios éticos, capazes de saber partilhar e ter conceitos mais ricos e diversificados.
E se pensarmos que primeiro aprendemos a falar e, depois, mais tarde, na escola, aprendemos o abecedário, podemos ter em conta que no teatro se pode e deve aplicar esta verdade como princípio.
Primeiro aprender a cultura e a ética teatral, ter urbanidade para e com a arte e, depois, mais tarde, na “escola”, aprender a formação técnica e artística.

Se quiserem ter a compreensão de que esta base ética é fundamental, o teatro de amadores das associações é, (deve e pode ser), uma boa escola da vida.

Estar ou ser do teatro, é um confronto permanente com a realidade.
Os primeiros contactos devem ser de forma lúdica e divertida o que os torna, mais tarde, activos e com sentido crítico e participativo.
Aprende-se com todos os sentidos e fica-se mais aberto àquilo que desconhecemos.

É bom que se entenda que o teatro, tal como as outras artes, é um espaço de liberdade e criatividade, onde existe a possibilidade de criar uma mudança de atitude.
Como diz Kant: - «apenas os gostos se discutem»

Mas, no teatro, discutir é procurar estabelecer pontes, é falar das emoções e vivências partilhadas tendo por base experiências de vida muito diferentes.
O papel do teatro é esse mesmo: - Proporcionar um sonho de comunidade entre indivíduos distintos.

Estar no teatro é muito mais do que se imagina, ou do que aquilo que se pode encontrar nos livros.
Ser do teatro é saber que há objectos inúteis mas que contêm em si os mais elevados valores.
O teatro é um curso, que nem uma vida inteira chega para o concluir. Por isso se diz:

- “O que custa mais, são os primeiros 30 anos”
No teatro, nada é mais importante do que proporcionar a possibilidade de ser cada vez melhor, com a certeza saudável de que nunca se atingirá a perfeição.

E assim, será muito mais possível acreditar num futuro melhor.
Num futuro onde hajam Mulheres e Homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social e na sua qualidade de vida cultural mas, também, para contribuírem para o desenvolvimento do local onde estão inseridos.
Mas para isso não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas e artísticas, pois sabemos que, cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.
Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.

Cabe, por isso, aos dirigentes artísticos e associativos, aos agentes culturais, aos patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às autarquias, (já que o governo central não aceita pedidos de apoio dos amadores de teatro) um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento sócio-cultural das artes dos palcos associativos.

Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, com “a “mão-de-obra barata” que somos A LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.

Valha-nos a muita paixão que sentimos pelo teatro, valha-nos a muita perseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País que somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos, que acreditam no trabalho dos amadores de teatro, vai sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sócio-cultural , chamada TEATRO. Valha-nos isso.

Mas não nos devemos esquecer o quanto é importante saber o que é A RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

O teatro de amadores das associações é, de facto, e sem demagogias, uma grande escola de humanização para a vida social, cultural e associativa.

Alfredo Correia . 21 de Março de 2009
MDC
sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia

21 de Março
instituído pela UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em 1999
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MDC
sexta-feira, 20 de março de 2009

...um edifício com história...

...e lá história tem ele! Quem quer, quem quer, comprar um apartamento com excelente insonorização, testada por interrogatórios e torturas, mas com muito bons acabamentos!?
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Podem visitar o sítio de promoção na internet deste complexo imobiliário, o Paços do Duque, uma recuperação arquitectónica do espaço onde funcionou a sede da PIDE durante grande parte do século XX (estou eu a dizer, uma vez que no sítio de promoção só fala na história do edifício até ao séc.XVII)! Recuperação arquitectónica apenas... E o que é que recupera a memória!? O que é que recupera a dignidade!?
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Alguns textos sobre este assunto:
MDC
quarta-feira, 18 de março de 2009

...leve agora e vá pagando...

Lembro-me de ver anúncios a incentivar a poupança quando era míuda, o típico porquinho que se queria bem redondinho! Tive mealheiros ao longo da minha vida, no meu núcleo familiar não me lembro de um único bem comprado a crédito... O princípio que me era incutido e que via praticado era "se queres adquirir um bem ou serviço, poupa atá atingires a soma que precisas"...
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Agora a história é outra, vejo-me rodeada de créditos (que no fundo se chamam dívidas no minuto seguinte a serem recebidos)... É como dizer-se que ganhamos um objecto grátis na compra de outro... Tanga!!! A "oferta" está incluída no preço... Estes jogos de palavras deveriam ser proibidos... Porque as pessoas efectivamente caem nas esparrelas! Por tudo isto às vezes digo (e perdoem-me alguns talentosos amigos) que detesto marketing...
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Mas adiante... Que o crédito é uma ideia perfeitamente absurda, é... Então a pessoa adquire um bem ou serviço com um dinheiro que não tem! Depois, fica a pagar esse dinheiro com o fantástico juro... Para quem emprestou não é absurdo nenhum, que disparate, é uma maravilha... Quem emprestou investiu nessa "pobre" pessoa e agora fica a viver dos "rendimentos", porque essa pessoa vai ter que devolver o que não tinha e passou a ter num dado momento, sendo que, devido a esse "adiantamento", terá que pagar 1 vez e meia, 2, 3, 4 vezes mais o que recebeu, durante tempo e mais tempo e mais tempo!
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Eu peço desculpa por estas incursões na economia, sem propriedade técnica sobre o assunto! O que é facto é que vi no outro dia vi um vídeo que fez muito sentido, intitula-se How the markets really work... Ora, dêem uma espreitadela!
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Então, o que duma perspectiva é um empréstimo, do outro é um investimento! Os bancos que estão no meio... Emprestam dinheiro para um lado e oferecem "fundos de investimento" para o outro! Ou seja, quem compra os fundos de investimento vai beneficiar dos juros de quem contraiu a dívida, pelo menos até ao momento em que este pagar! E foi depois de vários individados começarem a ter problemas no pagamento e a devolver os bens aos bancos que, por sua vez, não conseguiram escoá-los no mercado que a coisa tremeu, não foi!?
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Então mas o que mais me faz confusão... se toda esta dedução estiver próxima da realidade... como é que, para resolver a "crise" as palavras podem ser a reabertura das "torneiras do crédito", como pedem pequenas e médias empresas, famílias, o Durão Barroso 18Mar'09, JN), e como prometem os governantes nos pacotes "anti-crise"!? Será que as sociedades ditas civilizadas estão viciadas no crédito!? Tão viciadas que não enxergam que não podem curar um mal com a sua causa!?
MDC


Mais um projecto turístico para o concelho de Vila Franca de Xira, mais uma intenção de construir em áreas ecologicamente sensíveis... Já foi em 2006 que a Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira aprovou, por unanimidade, a declaração de interesse público de um complexo turístico e parque temático no Cabo da Lezíria Grande 25Out'06, Jornal de Notícias)... A parte mais curiosa do texto que dá corpo à notícia é acerca dos 30 espaços de lazer a desenvolver - como um centro equestre, um clube de campo, um centro de observação de espécies e bares... Não seria observação de espécies nos bares que queriam dizer!?
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Há 3 anos para cá ainda não passaram de intenções todas estas ideias, mas já começaram a sair novamente notícias relacionadas, primeiro vi no Vida Ribatejana (versão impressa) e hoje no Público... Das ideias todas de 2006, agora sobressai apenas uma, a ideia dum labirinto no milho!!! Fantástico, hã!?
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Lendo a notícia acho incrível como a câmara não entende a necessidade do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) com o argumento de que as construções já lá estão!!! As construções que lá estão em degradação tinham como principal objectivo o trabalho agrícola... Não incluiam as pessoas, os tais visitantes turistas, nem os automóveis e os autocarros da excursão ao labirinto, nem outras infra-estruturas e emissões de ruído, esgotos e outras coisas que tais!?

MDC :: fotografia: Joaquim Lopes (original AQUI)
terça-feira, 17 de março de 2009

Comandante CHE em filme



Vencedor dos XXIII Prémios Goya e do Festival de Cannes 2008, destacando Benicio del Toro como melhor actor, estreia em Portugal nas salas de cinema no dia 19 de Março.


Retrata de maneira sublime a forma como Ernesto Guevara, um médico argentino, abraçou a luta juntamente com Fidel Castro, no objectivo de derrubar a ditadura de Fulgêncio Baptista.


Mostra a ascenção de Che na Revolução Cubana, de médico a comandante e depois a herói revolucionário.
Um filme a não perder, e porque não neste dia, oferecer ao pai um bilhete de cinema como prenda ;)

Podem espreitar mais pormenores no link em baixo:

http://especial.sapo.pt/che/



OSC
Enquanto a Casa dos Bicos, em Lisboa, é alvo de obras de remodelação para acolher a Fundação Saramago, a Casa das Bocas, em Viseu, um solar do século XVIII desabitado, construído a meio da Rua João Mendes, em Viseu, está em risco de ruir » 17Mar'09, Jornal de Notícias.
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Casa dos Bicos, Lisboa c.1950 » Geocaching
Para quem não sabe, o terceiro e o quarto piso já foram construídos na 2ª metade do séc. XX!!! Ah, pois é...

Casa das Bocas, Viseu, por Jsome1 » Flickr
Não sei explicar muito bem... Mas há uma tristeza que me invade quando constato situações, que são inúmeras pelo nosso centenário país fora... Edifícios dignos de um romance, com história por dentro e por fora, que há dezenas e dezenas de anos se mantém de pé, agora de imponência escamada e ferida! Será que a nossa história, não nos merece outra atenção!?
MDC