quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

...o homem mais egocêntrico do mundo...

Acho que passei pelo homem mais egocêntrico do mundo no outro dia... Ouvi-o dizer assim:

"Já viste, se toda a gente do mundo me desse 1 cêntimo... UM CÊNTIMO apenas, hã!? Eu passava a ser bilionário!!! Já viste bem!? Tão simples..."

E sorriu amplamente, com um misto de nostalgia no olhar, por esta ideia brilhante não ser posta em prática!

Caramba... Somos tantos, tantos, individuais mas interdependentes... Não dá para pensar assim, olhando para dentro, contemplando um umbigo... Será que a humanidade vai ser sempre assim... como Narciso perdido nas suas águas!?
MDC
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

...encantos indianos...



Os primeiros encantos vieram com o Gandhi e com o Taj Mahal...

Não sei qual deles primeiro!

Entretanto, já tarde na vida, provei chamuças...

Que delícia! (receita aqui)

Ontem, Nitin Sawhney e companhia maravilharam-me no Coliseu!

E entretanto, o Slumdog Millionaire arrebata 8 óscares em 10 nomeações...

E claro que há muito mais que não cabe aqui agora...

Que país é este que tanto encanta!?


MDC
sábado, 21 de fevereiro de 2009

Olá!!

Olá! agradeço desde já o vosso gentil convite para participar no fita de moebius. Tenho muitas saudades de todos e espero em breve voltar a encontrar-vos!
As nossas vidas mudaram e o nosso quotidiano não permite encontrarmos-nos mais vezes. Esta é uma mensagem muito breve pois tenho uma joaninha de volta de mim a puxar-me para ir brincar.
Beijo e até breve!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

...mais um centro comercial...

Nããããoooo... "Mais um centro comercial em Alverca que (...) em conjunto com o Alverca Retail Park, a construir pela Sonae e já aprovado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (...) irão representar uma massa comercial equivalente à do outlet Freeport de Alcochete." (lê-se aqui » O Mirante, 19.Fev.09)... Mas que chatice! Qual é o interesse!?

Projecto do Fórum Alverca (Multi Development)

Já percebemos o que acontece com esses mostrengos comerciais... Duram enquanto são novidade e enquanto não aparece outro maior ou mais "interessante" (só em Alverca temos: 1 desaparecido, 2 moribundos e 1 a caminho disso, em Vila Franca, o maior também às moscas)!

Substituem o comércio tradicional que promove a vivência das ruas, o encontro entre as pessoas e os percursos pedonais... Promovem a deslocação de carro, parques de estacionamento gigantes, e encontrões impessoais em espaços fechados com ar condicionado, onde sofremos de calor com as nossas roupas de inverno (porque os lojistas tem fardas sempre muito fresquinhas)... Gasta-se energia e dinheiro, nada se produz... a não ser poluição!

Claro que dá jeito, por vezes recorrer a uma superfície comercial, com uma oferta variada e em horários "confortáveis" (pelo menos para quem compra)... A mim chega-me o Centro Comercial Vasco da Gama, onde ao menos se percebe o tempo solar, graças à imensa cobertura transparente, que tem o tamanho ideal para não me perder lá dentro, um terraço fantástico para beber uma cerveja ao fim do dia numa espreguiçadeira e ainda, é acessível de transportes públicos ficando no caminho casa/trabalho de muito boa gente! Não chega!?

Não gostava que em Alverca se promovesse esse tipo de vivência efémera, superficial e despachada! Ah e tal, mas as pessoas gostam... Está bem, mas eu não!

MDC
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Passeio de bicicleta

Hoje de manhã fui de bicicleta até Vila Franca. O facto de pegar nela trouxe-me logo recordações que nunca mais me esqueço, desde o cheiro a óleo e borracha até sair de casa e sentir o equilíbrio que ainda não me abandonou. Um salto até ás bombas para encher os pneus e já está! Começo a pedalar a sério e o vento da manhã não incomoda.
Lembro o cigarro com o café a seguir ao pequeno-almoço mas não esmoreço. Um gajo aguenta. Passo na variante e são poucos os carros e muito menos pessoas. Os putos na escola fazem desporto e metros à frente a carcaça de um avião faz a paisagem ganhar velocidade. Acelero mais nas recordações!
Sair de Alverca de bicicleta é fazer desporto. Aqui não se pode praticar quase nada sem ser a pagar! O Jardim tem um declive que é uma mini prova de obstáculos graças ao pavimento em pequenas pedrinhas, mais parece brita, perfeito para quedas com escoriação. É um extra, oferta de outro autarca e ainda não corrigido pelo presente! E para os automóveis e camiões da nacional 10 recorro a um provérbio popular: “Um olho no burro e outro no cigano!”.
Entro em Alhandra e começo a ver o rio. Durante o caminho lembro da paz que é andar sem conversar. Só eu e o meu monólogo. Deixei a raiva que tinha pelo caminho e começo a fazer as pazes comigo próprio por não andar há tanto tempo quando começa a dor do selim. É Rijo, zero almofadado! A pista melhora mas as pessoas não! Dificuldade em perceber a sinalética ou casmurrice por não quererem ir parar à água do Tejo (limpinha!) por falta de um gradeamento. Se fosse um Domingo de manhã ainda resmungava, mas hoje desvio-me um pouco.
Chego ao fim da pista e volto para trás. Encontro as mesmas pessoas e não aceno. Olhar para o Tejo tranquiliza a mente. Paro junto ao cais, peço um café e acendo um cigarro.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Agenda 21 Local de Vila Franca de Xira

Inicio a minha participação neste blog "que pode ser sobre tudo" agradecendo o convite. Espero contribuir para a discusão das "coisas", divulgar ideias, expressar emoções - enfim, partilhar com vocês tudo o que vou vendo, ouvindo, reflectindo, sentindo e, porque não, transformando.

O meu primeiro post serve para divulgar o fruto penoso do meu trabalho, mas em cuja maturação espero eu ver grandes resultados.
A Agenda 21 é um processo que pretende promover o desenvolvimento sustentável, encarado dialecticamente nas suas dimensões globais e locais. Reflectindo a alteração dos paradigmas antropocêntricos, a sustentabilidade do desenvolvimento que se pretende quer-se multidimensional, integrando crescimento económico, equilíbrio ecológico, equidade social e processos de governância que, pois claro (aqui ponho uma pitada de ironia...), aproximarão as políticas das pessoas, contribuindo estas para a formulação das outras.

O concelho de Vila Franca de Xira está, neste momento, a preparar os processos participativos que, etimologicamente e por definição, se querem participados! :P Como vemos o Concelho em 2020? Eu tenho as minhas ideias... Nesse sentido, porque uma visão não é nada sem as mãos e as ferramentas que a materialize, proponho que contribuam, todos, para a divulgação deste processo, para que se torne um reflexo o mais abrangente possível daquilo que queremos - podem, desde já, preencher o inquérito que se encontra on-line, e estar atentos à divulgação (que espero que seja para breve) da calendarização das sessões participativas, em todas as freguesias.
Pois então, participemos!

A propósito da notícia “Alverca Cidade Aeronáutica” já tem avião para embelezar rotunda na qual ficamos a saber que um avião Alpha Jet foi disponibilizado pelo Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, nem vou questionar as palavras embelezar rotunda, mas lembrei-me de outro avião e de um alerta!
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O que eu gostava era que não viesse a ocorrer com este exemplar gentilmente cedido, o mesmo que temos visto a acontecer ao avião exposto no espaço da Escola Secundária Gago Coutinho! Para já, sempre esteve inacessível! No caso da escola seria mais interessante e pedagógico os alunos terem acesso à cabine, penso eu... Até consigo imaginar o entusiasmo dos alunos na altura em que surgiu a notícia da cedência da aeronave à escola e a posterior desilusão perante o objecto colocado no alto de um inacessível pedestal!
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Mas ainda pior que isso é o facto de estar em processo de degradação visível! Talvez já a colocar em risco a segurança dos alunos e professores que por perto passem! Assim sendo, lanço aqui um apelo para a manutenção dessas "esculturas", quer do ponto de vista mecânico, quer do ponto de vista da melhor integração na comunidade! A notícia fala num protocolo... Veremos...
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Já agora que de intervenção urbana e embelezamento falamos, deixem-me recordar aquele lindo e enorme pinheiro que viajou da Escandinávia até Alverca, a enorme árvore da esperança que tinha as suas raízes encastradas num imenso cubo de betão em frente à Igreja dos Pastorinhos, embelezando o Natal de 2005... Lembram-se!? (recordação aqui) Pois bem, então também se recordarão que essa mesma árvore foi cortada, ficando o cepo e o cubo a ilustrar que a esperança às vezes não é verde!
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Mas tenho excelentes notícias... Anuncio o paradeiro desse imenso cubo: está nas OGMA e as raízes do pinheiro já começaram a romper o betão! Têm um longo caminho a percorrer até chegar à Escandinávia... mas a Esperança é a última a morrer!
MDC
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona

Ontem o teatro estava esgotado (o que é óptimo para o teatro)... e fomos ao cinema, que estava compostinho!
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O filme era o que dá nome ao artigo, de Woody Allen! É um prazer ver cinema... verdadeiro cinema! Com personagens viradas do avesso, de dentro para fora, quero dizer... Humanas, credíveis, quase pessoas... Assim está bem!
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Confesso que tenho o cérebro poluído com as referências hollywoodescas mais para o mainstream (têm sido muitas horas), de maneira que, qualquer filme fora desse circuito é uma lufada de ar fresco!
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Não conhecia quase nada do trabalho deste cineasta, mas a Vicky, a Cristina, Barcelona, a Maria Elena e o Juan Antonio, abriram-me o apetite!
MDC
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Carta da Terra

P R E Â M B U L O
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.
Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.
Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas.
Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem- estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
P R I N C Í P I O S
I . RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
I I . INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.
I I I . JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não- contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter- se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o
desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não- provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O C A M I N H O A D I A N T E
Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não- governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.